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Política

Redes interligadas. Densamente terríveis. Ganchos prendem ao teto, A mesma rede que toca o chão. Não importa o que o gancho puxa. Não importa o que está no chão. É sempre a mesma rede. A tocar no teto ou a tocar no chão. Toca no teto ou toca no chão Oca no teto ou oca no chão Cá no teto ou Cá no chão Ano teto ou ano chão No teto ou no chão O teto ou o chão Teto ou chão Não importa

Lugares

Todos os lugares são o mesmo lugar É sempre você da janela a olhar Todos os lugares são o mesmo lugar É sempre você a complicar

Cantiga

Eu passo pela calçada, Minha mágoa aguada. E o tempo que cai, não mais. Retorna de volta, Em volta, são dias iguais. Nada de mais. Alem do mais, normal. Vejo meus sonhos. Sonhando o real. Igual e banal. Sem nexo protesto, O querer ser mais. Tão mais, Para Viver um romance. Guerreiro errante. Lutar por amor, Pelo amor do que já passou. Compondo novelas que valsam jogadas, No mundo imundo. Tão belo e eterno. Amor pelo o que nem sei quem sou.

O ser

O sol bate nas folhas como que escolhendo as cores a serem realçadas, O vento as mexe de maneira aparentemente planejada, O banco vazio adquire a capacidade de voar. O ser é guiado para longe do tecnológico atual. O banco é veloz e o paraíso chega rápido. O ser está lá, mas o lá onde está? Os sonâmbulos passam, mas nunca vão perceber. O ser é invisível para os deveres do progresso. Os detalhes se escondem na rotina. O banco mostra os detalhes ao ser. O mundo busca um sentido. O banco revela tudo ao ser. O segredo da vida é desfrutar. O desfrutar do inevitável. O existir. O ser.

Lua analiza o vazio

No vazio do quarto uma porta se abriu Nada dela entrou Nada dela saiu No vazio do quarto ainda respirava Inspira esperança Expira o velho de novo No vazio cheio de existência Espera o inquieto Lá de longe A lua analisa a situação Emitindo pela janela Sua suave ternura Quem diria que a lua Talvez sem perceber Manteria o vazio vivo Esperando foguetes Ou sinais para responder

O que queria?

Só queria sonhar mas os prédios não se movem  com as caricias do ar Só queria amar mas as folhas temem quando caiem das arvores Só queria o simples mas o bolo de lã embola-se e o gato quer brincar Só queria não querer mas querer é o motivo para esquecer o vazio e viver

Teorias

Quis aprender sobre a vida, Prendi-me aos livros e historias vividas. Quis saber todas as possibilidades, Afoguei-me em teorias. Fui todos os heróis em um quarto, Fui todos os amantes possíveis, Privei-me de tudo e de todos, Reservei-me da vida, até saber tudo o que viria. E quando finalmente achava que sabia. Fui para vida e na primeira esquina, Descobri que todos os livros que li, Nada sabiam.