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O mundo é uma coleção  de linhas retas. Umas pequenas, outras longas, Umas visíveis, outras sentíveis. Linhas retas, Que neste incontável total, Quantificam-se em muitas. Mas reafirmo. Todas retas. O que há de curva. É conjunto das pequeninas, Emparelhadas uma a uma. Como um imenso fractal de retas linhas, Dançando estáticas e discretas. A contornar espaços finitos. Interminavelmente. Limitados e perdidos. Dentro de um corpo, Que por órgãos e segredo, Interpreta vida.

Bem aqui estou

Após meses desligados a volta,  Não há de ter sido nada. Aqui onde ninguém via, sumiu, ninguém viu. Mas de cá da tela o mundo continua. Dai, não sei se faltou o que existia aqui. Nunca saberei. Voltei. Desligado por um objetivo, Voltando sem o ter comprido, Talvez apenas pretexto do acaso. Uma dica seguida, para um ajuste de foco. Era preciso estar ao máximo no mundo real. Era preciso respirar tudo o que aconteceu. E foi o que fiz, respirei, Mas não sei o quando de ar digeri. De novo aqui, hoje cheio de pó. Um pó com peso de casa aberta em avenida movimentada. Aqui, lar das ideias de mais um. Esse um outro, de eu gritante, Por meses calado, agora retornado. Retornado de um mundo que nesses meses, Entornou muito. No mesmo dia do poço eu vi teus olhos, No mesmo dia chorei, Por lutos e sorrisos. Há coisas de mais no mundo, Sinto-me provocado. Provocado a viver e ter de lidar, Eu herdei o amor. Eu herdei a dor. Eu herdei a ex...

tudo ou nada

Aos meus pés, toda a terra. Trocando passos como quem cria rotação. O mundo precisa rodar. O tempo não pode parar. Aos meus pés, os receios. Os pesares, As soluções falsas. Aos meus pés, países. E todas suas felicidades guardadas, Em quartos fechados com trancas enormes. Aos meus pés, o próximo passo. O próximo pedaço de chão, que me dará sustentação. De próximo em próximo, de pedaço em pedaço. Passos. Até o vazio que me conduzirá ao abismo. Infinito. Aos meus pés, linhas. Apontando, Ligando, grifando Promessas ignoradas. Lágrimas filhas da incompreensão, Derrubadas no fim de batalhas. Por quê? Aos meus pés, sonhos. Confundindo-se com pesadelos. Reflexos turvos em espelhos, Refletidos descontinuamente pela atmosfera. Sempre ao contrário. Na porta meio aberta do armário. Não pode ser lido. Não se traduz. É apenas luz, No fundo do peito. Aos meus pés, o mundo. E tudo que um sonhador pode tirar disso. Ou nada.

Lembranças do Mar I

Som indo, Som vindo, Areia chegando e partindo. Construindo o que já foi. O vento levará, O mar invadirá, O tempo apagará, O que a memoria eternizará. Rumo ao horizonte sem fim, Aonde o mar chega e se afasta, Até terra nova. Até novo mar. Até o velho virar novo, E o futuro, o passado,  reencontrar . Há muita terra até o fim da terra. Há muito mar até o fim do mar. Há muito tempo até o fim da areia. Haverá muita vida até isso tudo acabar.

Muro do luxo

Imagem
De passos largos no meio do luxo Seguia tímido sentindo-me sujo. De passos largos um tropeço, A cara eu viro e de repente vejo. Havia uma piroca no meio do muro, No meio do muro havia uma piroca. Havia um muro no meio do luxo, No meio do muro havia uma piroca. Havia uma piroca no meio do muro, No meio do luxo havia uma piroca. Quem diria no luxo, Havia uma piroca. E eu o sujo sem roupa bacana, Quem diria sujo, olhando a piroca, Dura, escrota e torta. No meio do muro, no meio do luxo. É isso mesmo cidadão, No meio do luxo havia uma piroca, dando oi para quem passava. Parece absurdo mais veja só, No meio do muro havia uma piroca, penetrando olhos Para fecundando óvulos no cérebro. Parece mentira, mas eu juro No meio do luxo havia uma piroca, gozando nas mentes transeuntes. E cada um que gere sua cria, Mas não venham cagando maldizeres Sem fecundar porra nenhuma. A intenção é ter filhos, esforce-se um pouquinho. E caso esteja com pr...

Teia

Os versos cruzaram o ar, Bordando uma teia de veias. Armadilhas para sonhos, Colocados no céu por engano. Pulsando meu sangue, Ano após ano. Nenhum pássaro no ar, Nenhum peixe no oceano. Eu perdi meus versos Em um dia de sol. Evaporaram, Voltaram com a chuva. Chuva que rompeu a teia, Jogando ao chão o que guardei. Nenhum sonho restou Tudo que caiu se despedaçou. Os versos guardados, Juntaram-se a enxurrada. Desceram o rio, Rumo ao mar, Rumo a nada. E da falta da teia, O desejo de vê-la pulsar. Mais um ano passando, Uma nova teia bordada no ar. Da silhueta ao fundo da sombra, Emerge um cântico de esperança. Quem sabe dessa vez, Algum sonho fique na teia, Antes de o chão encher-se de veias. Quem sabe dessa vez, Algum sonho. Antes que a chuva venha com seus desenganos.

mergulhador

no metafórico mar existencial flutua uma nau solitária dela um jovem pula no mar mergulhando fundo... até se afogar

Abstrato

Vês, minhas vísceras ao chão? Eu derreti, assim que sua existência caiu sobre mim, Cortando como uma lamina bem fina. Que passou, dividiu-me e se foi. Para onde? A bainha de alguém, talvez... O chão ficou sangue, Meus pulsos viraram pinceis. Espirra vermelho. Fusão, junção. Dividindo o que ficou Ao chão, no chão, Meu sangue Meu desespero. Tudo cru, no mesmo lugar. Espalhados pelo ar, Cheira a existência. O acaso goteja, Pingando No quadro abstrato. Absurdo. Tentando abrir janelas da alma, Vermelho no branco. Chão de banheiro, traços vermelhos. Lutando por sobrevivência, Sobrevivência na ausência, No fim, todos dizem que passa, Mas o quadro alguém vendeu. O corpo alguém enterrou. A lamina realmente passou, Nunca retornou Todos dizem que passa, E esse é o problema. Passou. Por isso não passa. Passou. E não passa.

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violão soa, tempo voa, alma ecoa, vida escoa pelo ralo l e  n   t    a    m     e      n       t        e. rumo a algum novo cano. o caminho,  tem sido escuro, mas com um pouco de sorte, quem sabe..............................................................desague no mar.

O buraco

Quanto mais eu me sou Mais cavo o buraco de mim mesmo..... Mais terra sai. Mais longe a superfície de mim. Sinto-me em queda livre. Caindo em um absurdo Cavado pelo exercito interminável de ou’s e reticências. Onde estão os pontos finais? De certo o tempo os engoliu. Agora todo grito não tem exclamação Só interrogam. Só se vão... Afundo-me em mim E o que ecoa agora, Só soa o que sou. Dúvidas sem resposta. E se não quiser ser mais a mim? Alguém, por acaso, já descobriu o que não sou eu? Alguém sabe o que é o eu? Alguém sabe? Grite!  Aqui é fundo, O som se perde no caminho. Deve ser isso Que mantem o silêncio tão fiel. Não dá mais! Não dá mais, para ser o que não fui. Tentei sair de mim, Mas só soa Só soa Escorrega Só soa Soa eu e nada mais... No fundo. Um sorriso conformado. Um abraço inevitável. Um fio de luz ao meio dia. Tarde de mais é muito cedo para mim. Já anoiteceu. Deixa pro outro dia, ...
Às vezes de noite se ficar bem calado e o silencio for amigo. Posso escutar em minha mente o bater dos pregos, o ranger da serra, e o leve borbulhar dos trabalhadores conversando. Eles erguem um castelo onde hei de morar caso o tempo passe e eu fique velho e sozinho.

Tempo seco

Nenhuma gota Caiu. Não chove há dias. O ar está seco. A toalha molhada que deixei no quarto Secou. Foi tudo embora Nada ficou Todo o sentimento Evaporou.

A nuvem e o quadro surrealista

No céu de frases infinitas, Sobram as nuvens do sonho. Um redemoinho de letas e sons, Dançando sobre as lagrimas Que devemos à existência. Trocamos a nos mesmos, E o sol ilumina diferente, Criando do reflexo da nuvem. As mais variadas cores sobre a terra seca. A terra seca que agora admira. A nuvem leve, Que deseja todo o peso de uma tempestade E toda mobilidade de um furação tropical. A nuvem desconhecida, Que surgiu em meio a outras nuvens E se fez senário desse quadro surrealista. A nuvem avessa, Que vive sem óculos no mundo míope, Buscando suas saídas longe do comum. A nuvem, Que agora a terra seca observa. Trocamos a nos mesmos, E nunca mais o céu foi o mesmo. O quadro mudou. O surrealismo ficou.

Ecos de uma madrugada vazia

silêncio pela madrugada! cada palavra é uma enxada cravada em meu peito. silêncio na madrugada! um martelo bate, crânios esmagados. sozinho dentro do sozinho escuro, sem vizinhos. silêncio na madrugada! fios cortantes pelo caminho, andar dói, é preciso. silêncio na madrugada! quero explodir de tanto vazio. silêncio na madrugada! quero explodir,  sozinho.

Sobre suas lagrimas verbais

Lagrimas verbais Caem de seus versos Mais um atrás de fama Mais um ficando velho Chances ao acaso O tempo faz seu papel A luta parece eterna O mundo uma linha reta Brilhou sobre o sol Um sonho envelhecido Alguns viram Outros não Lagrimas com tinta Furam o papel Mais um buraco para tampar Mais um sonho a se mudar Partir Chegar Voltar Há muito tempo não sei Se já estive em outro lugar

Drama

E assim derrepente, Toda a magoa. Toda a tristeza. Todos os olhares. Se fizeram uma colossal tempestade de areia, Que corta minha pele sem sangrar. Cortam minha pele. Minha lembrança. Minha esperança. Minha cor. Cortam sem sangrar. E esse meu sensível corpo, Começa sua verdadeira e implacável batalha, Lutando pelo equilíbrio, Em meio a suas palavras. Lutando para ficar de pé, Em meio à realidade inegável. Um grito mudo no fundo, Desesperança em Luta! Ninguém ouviu. Corpo vazio, Em meio a uma fúria sonora sem sentido. Formada pelos fatos que se materializam, Como fantasmas de aço. Ectoplasma sólido, Que me abraça e me condena. Não posso atravessar paredes! Queima! Não posso... Paralisado, mudo, sem cor. Em meio à ventania que parece jamais passar.

A Pena negra na noite fria

E no fim tudo que ficou, Foi uma pena negra de sal. De um pássaro. Um corvo. Um corvo morto. Que rolava na calçada como uma lata de alumínio. Escorrendo pelo chão áspero e cortante. Rolando para ser amassado e jogado no lixo. O cenário perfeito de uma tragédia, Que percorria a noite, E em meio a triunfal chuva. Agoniante e fria. Diluindo o sal. Aos pês do mundo, Que não vê. E Então tudo o que fica, São as vozes tristes dos desesperados, Cujas frequências conjuram o úmido, O úmido de sal e água. Lagrimas Dessas bem secas, Que dormem nos cantos dos pássaros, Suprimidos por gaiolas. Lagrimas Que caem de meus olhos. No tempo da noite que passa, Engolindo as vozes tristes. Para trazer o terror. O terrível som fosco de corvos horripilantes, Batendo asas sobre meu ser. Em meio à noite fria. Que me prendia nesse pesadelo absurdo, Criado pelo desespero de meus olhos, Face aquela pena de sal, De um pássaro morto. Um corvo. ...

Continuidade

Continuo aumentando a idade A cada rotina engessada Acostumo a lagrimas Acostumo a nada Cheio de um lado Vazio na outra esquina. Dói em mim a flecha que não veio! O obstáculo que inexiste pesado! Pulando a mim mesmo A cada dez metros de tempo A cada dez tempos de metros A cada minuto que se vai                                                          e não volta mais.

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As palavras pelo ar Vem e voltam, Em meio à rotina Reta, que contamina Minhas retinas cortinadas. Tentando disfarçar a saída. Balançando sobre a parede Supostamente porta aberta, Mas que sempre foi solida De solidão indestrutivelmente quebradiça. As filas crescem, Brotam migalhas de assuntos mofados. Esperar nunca é cheio. É se desligar do presente por um futuro, Que mesmo em uma fila garantida pelo capital, Pode não ser assim tão presente.

O medo

Da falta das lagrimas, Resta a saudade de chorar. Essa estranha saudade, De jogar para fora a dor da existência. Essa estranha saudade, Que se mistura com o medo da batida. O medo de não aguentar o baque. O medo da face frente à tristeza dita real. A tristeza fatual, Pontual, A tristeza máxima. E da batida que não vem, Nasce outro medo. O medo de ter desaprendido a chorar. O medo de não ter glândulas funcionando, No momento de abençoar com lagrimas, o baque. O medo da falta de reação frente à desgraça. O medo da prova final, Que o define humano. O medo do inumano. O MEDO! Tantas vezes aqui citado. O medo que mora em nos, O MEDO! O terrível medo, Que te faz, com medo, Querer relembrar o medo. O MEDO! Que mesmo depois de tantas voltas, Não me derramou uma lagrima.