tudo ou nada


Aos meus pés, toda a terra.
Trocando passos como quem cria rotação.
O mundo precisa rodar.
O tempo não pode parar.
Aos meus pés, os receios.
Os pesares,
As soluções falsas.
Aos meus pés, países.
E todas suas felicidades guardadas,
Em quartos fechados com trancas enormes.
Aos meus pés, o próximo passo.
O próximo pedaço de chão, que me dará sustentação.
De próximo em próximo, de pedaço em pedaço.
Passos.
Até o vazio que me conduzirá ao abismo.
Infinito.
Aos meus pés, linhas.
Apontando, Ligando, grifando
Promessas ignoradas.
Lágrimas filhas da incompreensão,
Derrubadas no fim de batalhas.
Por quê?

Aos meus pés, sonhos.
Confundindo-se com pesadelos.
Reflexos turvos em espelhos,
Refletidos descontinuamente pela atmosfera.
Sempre ao contrário.
Na porta meio aberta do armário.
Não pode ser lido.
Não se traduz.
É apenas luz,
No fundo do peito.
Aos meus pés, o mundo.
E tudo que um sonhador pode tirar disso.
Ou nada.

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