Deitado


Suas mãos corriam pela face,
Pingava absurdo de seus olhos.
Todas suas unhas arrancavam-lhe,
Algo invisível.
Marcavam.
O coração afundava.
O ar parecia pouco.
Os sentimentos ardiam fundo.
A alma estava em convulsão.
Cores trocando direções.
O corpo não mexia.
A mente tremia.
As mãos pararam,
Já não tinham o que arrancar.
O vácuo do peito
Sugava tudo a sua volta,
Sem tirar nada do lugar.
E tudo entrou em seu peito.
E doeu lá, sem lá estar.
Doeu o maior dos medos.
O medo de viver apenas para amanha...
O medo de viver para o amanha
Doeu, ardeu, explodiu.
Pois o amanha nunca é hoje.
E um dia ele deixa de existir.
Não há o que fazer.
Ou se levanta e vive,
Ou só te resta morrer.

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