Anotações de cidade II


no meio da cidade
um homem gritou.
ninguém se calou.
no meio da cidade
a fome o levou mais um.
ninguém o viu cair.
já estava no chão.
apenas um bêbado.
pagando seu erro.
pagando pelo mundo
de poucos com muito.
no meio da cidade
tanta historia sufocada,
que se coubesse a um escritor
transforma-las em palavras.
não haveria papel ou tinta
para materializar tal livro.
no meio da cidade
o único lugar
que um mundo pode ser um numero.
E uma novela pode ser uma linha,
no canto de um jornal amassado,
jogado no chão,
onde alguém, um dia, morreu.
ninguém viu.
ninguém vê.

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