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Onde está (no fim)?

está em todo lugar. no bla bla bla que ouço nos rádios. no cantar desesperado que soa da alma. no grito dos números nos jornais. no jeito calmo e torto de andar, sem ter onde ir. na certeza de não ter certeza. na conquista que falta e teima. nos paradoxos que jorram pelas ruas, como ondas, onde se mergulha, onde se afoga cercado de ar. no sonho inconstante e eterno, que morre, enorme. no peito de defeitos. no fio de ideia tão capilar que nem sei se passa sangue, mas que laça horas, em pensamentos no escuro. no tudo que petrifica o tédio. no nada que engrandece o vazio. no mundo de rimas sem solução. na vida de esquinas redondas, imperceptíveis, conduzidas pelo acaso como um labirinto mutável. tudo sempre da certo no final. ouço musica apenas por ouvir, mas no fundo, as vezes, me vem um sussurro... de quem? procuro. encontro. uma conhecida. sorrisos. Poesia.

Sou seu

A escrita não vem A lagrima cai A pergunta não sai Existe poesia em mim? Foi um amor de verão Um alinhamento de planetas Ou um fato natural? Não sei mais Existe poesia em mim? Um dia já existiu? Não sei mais Escrevo com a desenvoltura de um bêbado a cambalear pela rua Me direciono a poesia Bato na parede da prosa, cambaleio Bato na outra parede da musica, tropeço Por pouco não sou atropelado pela gramática Por pouco não caio no buraco da pontuação Seria isso digno? Seria eu, digno de tentar executar a poesia? Não sei, mas... Me entrego Sou seu, poesia! Juro Faça o que bem entender de mim Me guarde em um armário se for necessário Me guarde no fundo de uma gaveta Me jogue Me amasse Me suje Mas por favor Eu imploro Não me deixe Não me deixe

Lugares

Todos os lugares são o mesmo lugar É sempre você da janela a olhar Todos os lugares são o mesmo lugar É sempre você a complicar