Sou seu


A escrita não vem
A lagrima cai
A pergunta não sai
Existe poesia em mim?
Foi um amor de verão
Um alinhamento de planetas
Ou um fato natural?
Não sei mais
Existe poesia em mim?
Um dia já existiu?
Não sei mais
Escrevo com a desenvoltura
de um bêbado a cambalear pela rua
Me direciono a poesia
Bato na parede da prosa, cambaleio
Bato na outra parede da musica, tropeço
Por pouco não sou atropelado pela gramática
Por pouco não caio no buraco da pontuação
Seria isso digno?
Seria eu, digno de tentar executar a poesia?
Não sei, mas...
Me entrego
Sou seu, poesia!
Juro
Faça o que bem entender de mim
Me guarde em um armário se for necessário
Me guarde no fundo de uma gaveta
Me jogue
Me amasse
Me suje
Mas por favor
Eu imploro
Não me deixe
Não me deixe

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