Carne nua
Carne nua,
Na musica que soa crua,
Nos corpos sinceros,
Despidos de mistérios.
Na existência fervente,
Em camas rangentes,
Habitadas por janelas indiscretas,
Iluminadoras de segredos,
Guardados em chaves,
Dentro de chaves,
Dentro de cabeças,
Dentro de ideias,
Dentro dela,
Fora dela,
Nela,
Com ela,
Nela.
Carne nua,
Na musica que soa,
E nunca deixou de soar,
Em ouvidos abertos.
Habitados por desertos chuvosos,
Molhados,
De molhanças felizes
Atritadas,
Carne em carne,
Ser em ser,
Matéria em matéria,
Nu em nu.
Carne nua.
No quarto da rua quente da musica,
Discretamente a frente dos tiros.
Na viola adiada aos latidos e uivos
de cães, gatos, mosquitos e humanos.
Onde entre tudo isso,
Ainda assim ecoava um grito,
Carne!
Somos de carne!
Mais ainda assim há sentimento!
Ainda assim.
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