Para não se esquecer de abrir os olhos

mas não é que em meio à escuridão podre do ralo,
encontrará um brilho dentro do nada,
brilho que invade a alma,
que explode muros.
mudando sem porque,
como um cego percebendo que não era cego,
ao descobrir que para ver é preciso abrir os olhos,
e para abrir os olhos é preciso coragem,
de ver o que não queria ou o que machuca.
coragem de expor-se ao incontrolável,
que controla o mundo de fora.
e então assim como chuva de verão,
assim de súbito,
descobriu que para ser triste basta querer,
e para ser feliz basta ser.
a tristeza fecha olhos,
e te faz não olhar,
e não olhando.
não buscar,
e o não buscando, não sendo,
e o não sendo, dando vida a uma cadeia,
cuja a porta esta aberta,
mas nem todos se lembram,
de abrir os olhos para ver.

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