Nada
Minhas palavras marcam o papel,
Nem sei se te divertem.
Nem sei se te servem.
Minhas palavras marcam o papel,
Existência escorre por entre elas.
Existência que talvez não te valha nada.
Mas que é tudo aqui dentro,
Dessa minha caixa de osso oval,
Boba e frágil tentando sobreviver
Em letras tatuadas em arvores mortas.
Letras sujas e tortas.
Provinda de uma caneta cara,
Provavelmente fabricada,
Em alguma indústria de trabalho compulsivo em Taiwan.
Tire suas conclusões.
Faça seu julgamento.
São letras sujas para o vento.
Caras letras de minha caixa,
Talvez inúteis, mas pagas.
Pagas por crianças e florestas.
Pagas por gente demais,
Para que se tornem nada.
Mas que se tornam.
As coisas são assim,
Não há motivo,
Não há escapatória.
Vão se as linhas imaginárias,
Na folha pálida que se cora.
Caem lágrimas invisíveis,
Mancham letras sujas,
Ecoam desabafos pelo papel.
E no fim tudo isso,
Não é nada além,
de Nada.
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