Teia
Os versos cruzaram o ar,
Bordando uma teia de veias.
Armadilhas para sonhos,
Colocados no céu por engano.
Pulsando meu sangue,
Ano após ano.
Nenhum pássaro no ar,
Nenhum peixe no oceano.
Eu perdi meus versos
Em um dia de sol.
Evaporaram,
Voltaram com a chuva.
Chuva que rompeu a teia,
Jogando ao chão o que guardei.
Nenhum sonho restou
Tudo que caiu se despedaçou.
Os versos guardados,
Juntaram-se a enxurrada.
Desceram o rio,
Rumo ao mar,
Rumo a nada.
E da falta da teia,
O desejo de vê-la pulsar.
Mais um ano passando,
Uma nova teia bordada no ar.
Da silhueta ao fundo da sombra,
Emerge um cântico de esperança.
Quem sabe dessa vez,
Algum sonho fique na teia,
Antes de o chão encher-se de veias.
Quem sabe dessa vez,
Algum sonho.
Antes que a chuva venha com seus desenganos.
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