Mente deserto


Não faz sentido ter tantas jazidas de garimpo,
No meio da mente deserta, do meu eu poeta.
Onde nenhum faraó governou.
Onde nenhum oasis triunfou.
Não faz sentido.
Mas mesmo assim, continua o garimpo.
Tudo o que se cava o vento acaba cobrindo.
Continua o garimpo.
O tempo é quente ao dia, a noite é frio,
Sempre sentindo ou achando sentido.
Tentando descrever o horizonte infinito de dunas,
Moldadas pelos sentimentos de um solitário perdido.
De fala pouca e olhar pesado.
De sonhos muitos e amores passados.
Tento cavar, onde há pouco, quase nada.
Tento cavar, minha pele, minha alma.
Até minhas mãos caírem e não restar vida.
Até não haver mais horizonte ou duna erguida.
Mesmo que ao relento e para o vento.
Vou gritar, cavar e garimpar.
Até encontrar algo, ou morre sem encontrar.
Esperança é fechar os olhos e acordar no mar.
Quem disse que o impossível não pode formar caminhos?
Quem sabe, um dia, algo brote do meu deserto sem vizinhos.

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