O procurador
Dono de uma inquietude quieta,
Corrosiva.
Aquela inquietude de olhar,
Eternizada em estatuas,
Fincadas no coração de praças.
Seu corpo estático,
Destoa da alma flutuante.
Atenção em todo lugar.
Traçando teias pelo ambiente.
Tragando detalhes.
Soprando deduções.
Formando figuras com fumaça.
Um absurdo em um ponto.
Um romance de uma linha.
Uma tragédia neblina.
Tudo se desmancha no ar.
Cada vez mais cheio.
Cada vez mais teia.
Um destruidor de bússolas,
Colocando escadas em tudo o que é plano.
Compartilhando a procura,
Distribuindo acaso pelas ruas.
Procurar é sua sina.
Não achar, sua obra prima.
Procurar.
Produzir para se curar,
Procurar.
Algo sem volta.
O que não se pode encontrar.
O que não se quer achar.
A pedra invisível escondida no ar.
A gota misteriosa que formou vida,
No meio do nada.
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