O buraco


Quanto mais eu me sou
Mais cavo o buraco de mim mesmo.....

Mais terra sai.
Mais longe a superfície de mim.
Sinto-me em queda livre.
Caindo em um absurdo
Cavado pelo exercito interminável
de ou’s e reticências.
Onde estão os pontos finais?
De certo o tempo os engoliu.
Agora todo grito não tem exclamação
Só interrogam.
Só se vão...

Afundo-me em mim
E o que ecoa agora,
Só soa o que sou.
Dúvidas sem resposta.
E se não quiser ser mais a mim?
Alguém, por acaso, já descobriu o que não sou eu?
Alguém sabe o que é o eu?
Alguém sabe?
Grite!  Aqui é fundo,
O som se perde no caminho.
Deve ser isso
Que mantem o silêncio tão fiel.

Não dá mais!
Não dá mais, para ser o que não fui.
Tentei sair de mim,
Mas só soa
Só soa
Escorrega
Só soa
Soa eu e nada mais...

No fundo.
Um sorriso conformado.
Um abraço inevitável.
Um fio de luz ao meio dia.
Tarde de mais é muito cedo para mim.
Já anoiteceu.
Deixa pro outro dia,
Quem sabe as lagrimas me flutuem até acima.

Dededan

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