Abstrato
Vês, minhas vísceras ao chão?
Eu derreti, assim que sua existência caiu sobre mim,
Cortando como uma lamina bem fina.
Que passou, dividiu-me e se foi.
Para onde?
A bainha de alguém, talvez...
O chão ficou sangue,
Meus pulsos viraram pinceis.
Espirra vermelho.
Fusão, junção.
Dividindo o que ficou
Ao chão, no chão,
Meu sangue
Meu desespero.
Tudo cru, no mesmo lugar.
Espalhados pelo ar,
Cheira a existência.
O acaso goteja,
Pingando
No quadro abstrato.
Absurdo.
Tentando abrir janelas da alma,
Vermelho no branco.
Chão de banheiro, traços vermelhos.
Lutando por sobrevivência,
Sobrevivência na ausência,
No fim, todos dizem que passa,
Mas o quadro alguém vendeu.
O corpo alguém enterrou.
A lamina realmente passou,
Nunca retornou
Nunca retornou
Todos dizem que passa,
E esse é o problema.
Passou.
Por isso não passa.
Passou.
E não passa.
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