Para alguém perdido

Olhe no fundo de meus olhos mulher!
Eu não tenho nome!
Tudo que tenho é uma alma
Acorrentada nestes olhos que te veem,
E por trás deles te julgo.
Sabendo que por trás dos seus
Sou também julgado.
E nesse tribunal dançamos,
Com gestos e bocas.
Um tentando se defender do outro.
Dançando como gatos na chuva.
Lutando para sair,
Amando cada gota,
Deixando-se levar pela inercia dos corpos encharcados,
Que temem adoecer.
Mas amam o frescor e a leve ardência das gotas
Ao tocarem a pele leve, pesado, presente.
É inútil lutar!
Não temos para onde ir!
Não temos para onde fugir!
Somos só nos dois.
A nos molhar ao som das trombetas.
Misturando suor, lagrimas e água gelada.
Molhando e nos conhecendo.
Para tentarmos esquecer,
Que nunca você esteve por trás de meus olhos
E nem eu dos seus.
Mas mesmo assim,
Sou seu e sinto que és minha.

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