Bem aqui estou

Após meses desligados a volta, 
Não há de ter sido nada.
Aqui onde ninguém via, sumiu, ninguém viu.
Mas de cá da tela o mundo continua.
Dai, não sei se faltou o que existia aqui.
Nunca saberei.
Voltei.
Desligado por um objetivo,
Voltando sem o ter comprido,
Talvez apenas pretexto do acaso.
Uma dica seguida, para um ajuste de foco.
Era preciso estar ao máximo no mundo real.
Era preciso respirar tudo o que aconteceu.
E foi o que fiz, respirei,
Mas não sei o quando de ar digeri.
De novo aqui, hoje cheio de pó.
Um pó com peso de casa aberta em avenida movimentada.
Aqui, lar das ideias de mais um.
Esse um outro, de eu gritante,
Por meses calado, agora retornado.
Retornado de um mundo que nesses meses,
Entornou muito.
No mesmo dia do poço eu vi teus olhos,
No mesmo dia chorei,
Por lutos e sorrisos.
Há coisas de mais no mundo,
Sinto-me provocado.
Provocado a viver e ter de lidar,
Eu herdei o amor.
Eu herdei a dor.
Eu herdei a existência,
Seu céu nos sentimentos e nas sensações,
Seu inferno nas incertezas, na depressão, nas perdas.
Eu vi lagrimas de uma dor tão profunda,
Que não tive palavras para mensurar sua amargura.
Eu vi o amor tão perto que me considerei eterno,
Mesmo tendo visto a prova de que não o sou.
Não sou?
Sou?
Escrevo aqui meses calados,
Gritados no plano da vida,
Do pulo a queda,
Da esperança à ausência.
Não pedi paraquedas,
Apenas pulei.
Tomei o peso de estar ocupado na hora errada,
Tomei a leveza dos braços certos na hora exata.
Ouvi sabias palavras.
Decidi que minha missão é tentar ligar fios,
Ajudar a fagulhar mentes encharcadas por suor.
Suor de sobrevivência.
O mais necessário extinto,
Criado para manter a vida.
Mas para quê manter a vida?
Se não para encontrar suas saídas?
Enfim aqui acabo esse desabafo,
Totalmente sem sentido,
Para os que aqui perdidos,
Venham a ler.
Mas que sai como um gemido,
Um grito contido criado em um longo curto período.
Aqui jaz como dito por uma Fada,
Um texto de ano novo,
Bem empoeirado e sem sentido.
Mas cheio de vida vivida.

Que venha a luz que deve vir.
Meus olhos estão abertos.
E que se foda minha fotofobia.

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