A Pena negra na noite fria
E no fim tudo que ficou,
Foi uma pena negra de sal.
De um pássaro.
Um corvo.
Um corvo morto.
Que rolava na calçada como uma lata de alumínio.
Escorrendo pelo chão áspero e cortante.
Rolando para ser amassado e jogado no lixo.
O cenário perfeito de uma tragédia,
Que percorria a noite,
E em meio a triunfal chuva.
Agoniante e fria.
Diluindo o sal.
Aos pês do mundo,
Que não vê.
E Então tudo o que fica,
São as vozes tristes dos desesperados,
Cujas frequências conjuram o úmido,
O úmido de sal e água.
Lagrimas
Dessas bem secas,
Que dormem nos cantos dos pássaros,
Suprimidos por gaiolas.
Lagrimas
Que caem de meus olhos.
No tempo da noite que passa,
Engolindo as vozes tristes.
Para trazer o terror.
O terrível som fosco de corvos horripilantes,
Batendo asas sobre meu ser.
Em meio à noite fria.
Que me prendia nesse pesadelo absurdo,
Criado pelo desespero de meus olhos,
Face aquela pena de sal,
De um pássaro morto.
Um corvo.
Um corvo morto de alumínio.
Pronto para ser trocado.
Pronto para ser reciclado.
Igual a mim.
Comentários
Postar um comentário