As conclusões de mentes novas


Quando a faísca é pouca para iniciar a chama,
Qualquer inflamável é pouca isca.
Quando o dia amanhece sem cama,
Os olhos veem os sonhos adiados.
Constrói-se um ano com tijolos de horas
Pilha sobre pilha,
O cimento da memória, segura os muros.
Estão seguros?
Não vai cair.
As latas de alumínio ainda não enferrujaram minha carne.
Eu bebi, virei cada gota que digeri.
Bebi.
Minha carne eu feri.
Mas não enferrujei.
Derreto-me aos poucos,
Mas aos poucos não desisto.
Insisto em um existir solto,
Bicho do mato,
Minha coleira a pele que me segura,
Muda,
Cercada de ordens perdidas.
Mudando a todo tempo,
Em um turbilhão de caos.
Meu Deus é o tigre que ruge rouco,
Apenas visto. Apenas sentido. Não emite ruído.
Com a noite me engulo e espero o regurgito.
Mais uma dose, viro.
É preciso esquecer que não se tem o que quer esquecer.
O golfo do México, mexe comigo,
E o sombreiro me dissipa da luz.
Doce inimigo.
Estou seguro contigo.
Longe do sol e do escuro.
Queima.
Queima pólvora do eu.
Quando será que vou explodir,
Haverá de restar dor longe daqui?
Haverá de encontrar amor próximo daqui?
A placa da estrada o mato cobriu.
As placas dentárias o odor revestiu.
Mais uma dose.
Mais uma dose.
Só mais uma.
Só mais u......


Dededan

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