Meu coração bate em minha mão.
Meu coração bate em minha mão,
Furiosamente louco,
Em desespero rouco de existir
Mesmo que solto
Pelo universo, que o convém ser.
Meu coração bate em minha mão.
E a minha frente todo este escuro
É o momento que vai passando
E já era tempo.
Meu coração bate em minha mão.
Pois o abismo do tempo dos homens,
Engole gente como piranhas mecânicas enormes.
Olhos vermelhos, chaminés e fumaça negra.
Comendo pessoas como bois de piranha.
Pedagiando os cruzados com sacrifício.
É único, o caminho. Coisas da vida.
Meu coração bate em minha mão.
Pois sinto o belo dessa ausência de eterno.
Essa incerteza infinda.
Esse frio na barriga que te moves.
E me movo, como o sol que entra pela janela,
E se vai morno, para o fim chamar o novo,
Em gotas homeopáticas de rotina.
Até que seja a hora do adeus,
O fim que mora no amanha,
Até o dia que será hoje.
Meu coração bate em minha mão
Pois uma mulher faz do meu presente, sonho.
Enchendo minhas veias de energia azul,
Que me flutua a carne, por sobre a cidade.
Em uma bolha de pura paz.
Paz de nós pairando pelo caos.
Meu coração bate em minha mão
Pela ausência de motivo.
E a vontade de ser caminho.
Rumo à vida, rumo ao que vier.
Gladiando confiante e firme
Impossível batalha contra o ego.
Sonhando a aceitação do mundo dentro de você,
Sonhando a paz embutida no peito como coração.
Pulsando o mundo como parte e a parte como mundo.
Meu coração bate em minha mão.
Pois a vida nessa terra já erguida,
Cobra de mim posição,
E eu não sei se posso sobreviver.
Eu sei que tenho que sobreviver.
Eu sei que vou sobreviver.
Eu sei que nós vamos sobreviver.
Nós vamos sobreviver.
De que?
Meu coração bate em minha mão.
Pois os segundos enlouquecem,
Zombando e rindo cada vez mais alto.
Cada vez mais certo.
Cada vez mais o que não desejamos ser.
Meu coração bate em minha mão.
Pois ainda assim, brilham pinturas.
Filhas singelas do momento.
Templos, monumentos, castelos.
O mínimo da existência é morar no tempo.
Criar teu céu. Tens o pincel.
O que seria da alegria, se não houvesse dor?
Meu coração bate em minha mão,
Por trás do meu receio de matar a ideia.
A pobre junção de algumas palavras,
No aleatório formato que me veio.
Qual é o meu direito?
E se Deus em meu criar,
Tivesse se dado ao luxo de esquecer-me?
O que seria de mim?
De certo não saberiam.
Não poderiam saber.
Não haveria o que saber.
Meu coração bate em minha mão
Porque todo esse estranho equilíbrio,
Revela um desenho divino,
Que só os anjos podem ver.
Meu coração bate em minha mão,
Porque de alguma maneira tem que ser.
Assim furiosamente,
Soprando por sobre as folhas,
Os versos e escolhas
De minha insignificante, grandiosa e divina vida.
Assim como tudo o que amo.
Como tudo que odeio.
E tudo que teima ser.
Igualmente.
Tudo o que existe,
E não cabe a ninguém esclarecer.
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