Algo escuro, rua e muro. É noite. Nada mais
O grito do escuro Chegou a meus ouvidos Longo e seguro Como que do alto de um muro. Não havia nada ali. Era um grito de dentro de si. Algo além das frequências audíveis Movendo olhares irreconhecíveis. Um grito das roupas Pesadas e roucas Dentro do armário. Insistentes e abafadas. Presas por trás das tenebrosas Tampas de madeira de seu lar. Um grito do abismo Perto e perdido A cada passo arriscado, Sobre o chão da rua segura. Respirando poeira crua, Meus pulmões carnívoros Constroem sua irá Na terrível tosse Por sobrevivência. Tenho medo de olhar o que cuspi. Tenho medo de saber o que saí de mim. Invado memorias, Escrevendo com pensamentos, Lembranças coloridas para não ver a escuridão. Insisto que os insetos gritam reclamando suas asas. Ferramentas inquietadoras de ar. Não pode falhar. Insisto que quando em dança com a noite. Mergulhei em mil folhas brancas, Que pairavam por sobre um mar de metal líquido, Tão refresc...