Algo escuro, rua e muro. É noite. Nada mais
O grito do escuro
Chegou a meus ouvidos
Longo e seguro
Como que do alto de um muro.
Não havia nada ali.
Era um grito de dentro de si.
Algo além das frequências audíveis
Movendo olhares irreconhecíveis.
Um grito das roupas
Pesadas e roucas
Dentro do armário.
Insistentes e abafadas.
Presas por trás das tenebrosas
Tampas de madeira de seu lar.
Um grito do abismo
Perto e perdido
A cada passo arriscado,
Sobre o chão da rua segura.
Respirando poeira crua,
Meus pulmões carnívoros
Constroem sua irá
Na terrível tosse
Por sobrevivência.
Tenho medo de olhar o que cuspi.
Tenho medo de saber o que saí de mim.
Invado memorias,
Escrevendo com pensamentos,
Lembranças coloridas para não ver a escuridão.
Insisto que os insetos gritam reclamando suas asas.
Ferramentas inquietadoras de ar.
Não pode falhar.
Insisto que quando em dança com a noite.
Mergulhei em mil folhas brancas,
Que pairavam por sobre um mar de metal líquido,
Tão refrescante quanto à sanidade imaculada social.
Não vi nada eterno.
Sorri.
Tentei encarar de olhos abertos.
Não consegui.
Segui.
Procurei quem gritava.
Podia não ser perto de mim.
Não cogitei não existir.
Mas não havia ninguém.
Ruas vazias não falam.
Volto ao que sou.
A escuridão não pode me condenar ao tédio.
A falta de imaginação, sim.
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