Pelo mundo inteiro,
Dentro das frestas escuras.
Brotam formigas nuas,
Em busca de açúcar.

Pelos muros mal feitos
E azulejos meio soltos.
Caminham cautelosos,
Insetos fóbicos.

Temem a luz que os atrai
Como o ralo à água
Que se vai, e se vai.
E se vai, sem olhar para trás.
Para onde não se pode ver.
Para onde poucos ousam se meter.
Entre o ar e a luz dos homens que matam.

A luz que revela a presença.
A luz que leva o olhar à morte,
Culminando o ser ao assassinato.
Pelo mundo inteiro
Dentro das cabeças.
A mesma busca por doçura
E o mesmo pisar do sapato.

Gente contente no escuro.
Perdidos por entre caminhos.
Aleluias frenéticas sem rumo.
Profetas em busca da lâmpada.
Armadilhas enfeitando rotas.
Gente desejando subir.
Gente sempre a cair.

Há vida por tudo isso aqui.
Mais do que se pode sentir.
Além do que posso exprimir.

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