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calor....

Soa tua gota que sonha em ver o céu, Soa! Quem sabe alguém escute, O suor dar seu grito: Liberdade, liberdade! Sonho! Céu seu soa! Soa! Cada gota que se foi de mim, Imagino que hoje está mais feliz Chovendo por ai...

gotas

Gotas travessas de todos os tamanhos, Roubam o calor das coisas Para poderem pular do céu de novo.

Onde está (no fim)?

está em todo lugar. no bla bla bla que ouço nos rádios. no cantar desesperado que soa da alma. no grito dos números nos jornais. no jeito calmo e torto de andar, sem ter onde ir. na certeza de não ter certeza. na conquista que falta e teima. nos paradoxos que jorram pelas ruas, como ondas, onde se mergulha, onde se afoga cercado de ar. no sonho inconstante e eterno, que morre, enorme. no peito de defeitos. no fio de ideia tão capilar que nem sei se passa sangue, mas que laça horas, em pensamentos no escuro. no tudo que petrifica o tédio. no nada que engrandece o vazio. no mundo de rimas sem solução. na vida de esquinas redondas, imperceptíveis, conduzidas pelo acaso como um labirinto mutável. tudo sempre da certo no final. ouço musica apenas por ouvir, mas no fundo, as vezes, me vem um sussurro... de quem? procuro. encontro. uma conhecida. sorrisos. Poesia.

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Que o vento forme historia E a historia flua vida Para que ao fim Valha sobreviver milênios Por minutos vida Livre Leve Fluido Onde o silencio diz o quanto as pessoas se conhecem

? !

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  _ Quando as duvidas e os sentimentos do ser, Formam um labirinto ao seu redor. Uma fusão de tudo. Uma confusão por nada. O que é o ser? O que é o ambiente? Uma coisa só diferente. Soluções coexistentes. Agora, o ser ambiente, a náusea. Algo visto no fundo dos olhos. Aquele lugar onde a carne se mistura com a alma, E todo contato é sensação, Não exige tradução. Um aperto no peito, Um frio no coração. Apenas entende-se. Sem palavras ou gestos,  Entende-se cego. Entende-se surdo. Entende-se mudo. Não cabe explicar, O que não é necessário falar em voz alta.

O procurador

Dono de uma inquietude quieta,                                                           Corrosiva. Aquela inquietude de olhar, Eternizada em estatuas, Fincadas no coração de praças. Seu corpo estático, Destoa da alma flutuante. Atenção em todo lugar. Traçando teias pelo ambiente. Tragando detalhes. Soprando deduções. Formando figuras com fumaça. Um absurdo em um ponto. Um romance de uma linha. Uma tragédia neblina. Tudo se desmancha no ar. Cada vez mais cheio. Cada vez mais teia. Um destruidor de bússolas, Colocando escadas em tudo o que é plano. Compartilhando a procura, Distribuindo acaso pelas ruas. Procurar é sua sina. Não achar, sua obra prima. P...

Mente deserto

Não faz sentido ter tantas jazidas de garimpo, No meio da mente deserta, do meu eu poeta. Onde nenhum faraó governou. Onde nenhum oasis triunfou. Não faz sentido. Mas mesmo assim, continua o garimpo. Tudo o que se cava o vento acaba cobrindo. Continua o garimpo. O tempo é quente ao dia, a noite é frio, Sempre sentindo ou achando sentido. Tentando descrever o horizonte infinito de dunas, Moldadas pelos sentimentos de um solitário perdido. De fala pouca e olhar pesado. De sonhos muitos e amores passados. Tento cavar, onde há pouco, quase nada. Tento cavar, minha pele, minha alma. Até minhas mãos caírem e não restar vida. Até não haver mais horizonte ou duna erguida. Mesmo que ao relento e para o vento. Vou gritar, cavar e garimpar. Até encontrar algo, ou morre sem encontrar. Esperança é fechar os olhos e acordar no mar. Quem disse que o impossível não pode formar caminhos? Quem sabe, um dia, algo brote do meu de...