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Tempo de domingo

Aqui um verso ameno para fazer bem a quem convêm.... A brisa perdida em pleno feriado. Tocou o corpo molhado, Que vibrou em frio congelado Até a toalha beijar pele. Passou o frio veio sol leve, Abraçou ser que riu entregue. Hoje só é assim porque amanha não é. Ontem não foi e só de vez em quando é. Tempo de domingo disfarçado. Não tem nome, mas caminha lento. Tem pês descalços e roupa folgada. Tem vontade de rede e bossa nova. Tempo de domingo é coisa tão rara. Que passa domingo, Vira segunda mas não vem. Mas quando vem... amem. Só de vez em quando que é. Mas quando é. É e pronto. Quando é é.

Socorro

O presente é uma forma de mudar o passado empurrado para o futuro. Deitado em meu cárcere de liberdade surdo-me mudo. Vou viver a ignorância para que a dança ponha-me idade. Tijolos caem todos os dias de minhas construções moribundas.  Na cabeça de que? Caudalosas curvas de meus nervos furiosos. Respondam! Na cabeça de quem eu martelo? Não sei. Não saberei, pois os poucos que se importam. Deram-se ao luxo de serem tímidos. Em um mundo de frenéticos extrovertidos imagéticos.
A poesia jaz em algum lugar escondido, Dentro de todo lugar. Onde os ouvidos veem. Onde as mãos escutam. Onde os olhos pegam. O que está por todo ar,  O mais difícil de achar. Controles para o que não é meu. Não vendem no mercado ali da esquina. O que doma o imaterial, Não trabalha no circo nem na loja de animais. Mistério é mistério. Que fiquei aqui o mais veloz do eterno, Que amanha posso estar velho, E minhas letras não falarem mais.

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A brisa do ventilador ventila, Mas não tira a dor. Tem barulho de chuva, Mas não tira o calor. Tem vento apresado Mas não trás chuva. O tato é sopro em pele molhada, O tempo é claro de miragem ensopada. Calor Giram paletas cortando o ar Voando perdidas no mesmo lugar Para onde vão? Presas por função. Para onde vão? Se não o teto, um canto, ou o chão. E porque não vão. Penso que choram seus sonhos de avião. Enquanto no avião. As outras choram seus sonhos de chão.

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o campo está cheio eu queria saber por onde ando mas não saberei contento-me com os passos a semana está ai para passar outra vez o mês também  os anos me encaram de perto olhos nos olhos com uma face que não existe o futuro tem a cara escura tenho medo do passar preciso lembrar que meus olhos estão abertos  não há como garantir isso tento lembrar cortei uma pá de coisas da minha cabeça não saiu nada dela os cabelos ainda crescem  a barba ainda cresce os graus ainda aumentam os passos largos se engolem um zumbi correndo pela cidade tem fome de que? se fosse apenas de carne  haveria de ser mais fácil viver.

Para lembrar que um dia é diferente do outro mesmo que o nome seja sempre o mesmo

Não se pode falar de  domingo em pleno sábado. Mesmo que de alguma maneira seja domingo no outro hemisfério. Eu me recuso a aceitar. Não se pode falar de domingo em plano sábado. Não é domingo amigo. É sábado. Me recuso a falar de domingo em pleno sábado. Me recuso! Pois se falar, no domingo posso estar a falar de segunda, e assim na segunda falar da terça e na terça falar da quarta, e assim sucessivamente acabaria por falar de todos os dias que não vivi.

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Pouca cor Há seu sabor Leve Daqueles que a língua busca Gosto Demora Sorri de meia boca Porta bem fechada para não fugir gosto Leve Pouca cor Daquelas que os olhos buscam memória Para preencher a falta.