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A intensa chuva Molha o ar, limpa a rua Abre para o sol.
Planta crescida Jardineiro poda Concreto não
O vento sopra A fogueira balança Mais fresca
a aleluia voa em busca de luz mas não quer lua.
Deixo-me ir pela janela Aquela, que de costas. Ponho-me a mirar, Olhos de plástico. Deixo voar, literalmente. A pensar pela semente, Como gente. Pessoa, bicho homem. Humano. Crescendo como raiz. Espalhando-se carente, Pela terra seca de si. Caçando nós, Ligações nutrificantes. Sonhos penetráveis. Terra fofa e úmida. Algo que não seja vaso. Ponto final de terraquário. Algo que não seja fim. Onde deveras eu fui plantado? Quando eu terei ido demais para o lado? Eu não sei. Busco algo. Algo que não seja vago, Sem motivo, estapafúrdio. Algo quebra-cabeça. Que seja  racionalizável! Que seja encaixável! Que seja interpretável! Que seja motriz! E quem disse que não é? Talvez a ausência do sentido que te cerca, É o sentido em voz alta lido, Pelo tempo, para o Universo. Que da altura do infinito. Sorri, Chora, Vive. Cada segundo de nós. Assim, absurdamente. Sendo tu, porque tu, o é.

Meu coração bate em minha mão.

Meu coração bate em minha mão, Furiosamente louco, Em desespero rouco de existir Mesmo que solto Pelo universo, que o convém ser. Meu coração bate em minha mão. E a minha frente todo este escuro É o momento que vai passando E já era tempo. Meu coração bate em minha mão. Pois o abismo do tempo dos homens, Engole gente como piranhas mecânicas enormes. Olhos vermelhos, chaminés e fumaça negra. Comendo pessoas como bois de piranha. Pedagiando os cruzados com sacrifício. É único, o caminho. Coisas da vida. Meu coração bate em minha mão. Pois sinto o belo dessa ausência de eterno. Essa incerteza infinda. Esse frio na barriga que te moves. E me movo, como o sol que entra pela janela, E se vai morno, para o fim chamar o novo, Em gotas homeopáticas de rotina. Até que seja a hora do adeus, O fim que mora no amanha, Até o dia que será hoje. Meu coração bate em minha mão Pois uma mulher faz do meu presente, sonho. Enchendo minhas veias de en...
Sou eu, como tu. Tão igual ao que odeio. Que nem consigo escrever.