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A brisa do ventilador ventila, Mas não tira a dor. Tem barulho de chuva, Mas não tira o calor. Tem vento apresado Mas não trás chuva. O tato é sopro em pele molhada, O tempo é claro de miragem ensopada. Calor Giram paletas cortando o ar Voando perdidas no mesmo lugar Para onde vão? Presas por função. Para onde vão? Se não o teto, um canto, ou o chão. E porque não vão. Penso que choram seus sonhos de avião. Enquanto no avião. As outras choram seus sonhos de chão.

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o campo está cheio eu queria saber por onde ando mas não saberei contento-me com os passos a semana está ai para passar outra vez o mês também  os anos me encaram de perto olhos nos olhos com uma face que não existe o futuro tem a cara escura tenho medo do passar preciso lembrar que meus olhos estão abertos  não há como garantir isso tento lembrar cortei uma pá de coisas da minha cabeça não saiu nada dela os cabelos ainda crescem  a barba ainda cresce os graus ainda aumentam os passos largos se engolem um zumbi correndo pela cidade tem fome de que? se fosse apenas de carne  haveria de ser mais fácil viver.

Para lembrar que um dia é diferente do outro mesmo que o nome seja sempre o mesmo

Não se pode falar de  domingo em pleno sábado. Mesmo que de alguma maneira seja domingo no outro hemisfério. Eu me recuso a aceitar. Não se pode falar de domingo em plano sábado. Não é domingo amigo. É sábado. Me recuso a falar de domingo em pleno sábado. Me recuso! Pois se falar, no domingo posso estar a falar de segunda, e assim na segunda falar da terça e na terça falar da quarta, e assim sucessivamente acabaria por falar de todos os dias que não vivi.

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Pouca cor Há seu sabor Leve Daqueles que a língua busca Gosto Demora Sorri de meia boca Porta bem fechada para não fugir gosto Leve Pouca cor Daquelas que os olhos buscam memória Para preencher a falta.

Bem aqui estou

Após meses desligados a volta,  Não há de ter sido nada. Aqui onde ninguém via, sumiu, ninguém viu. Mas de cá da tela o mundo continua. Dai, não sei se faltou o que existia aqui. Nunca saberei. Voltei. Desligado por um objetivo, Voltando sem o ter comprido, Talvez apenas pretexto do acaso. Uma dica seguida, para um ajuste de foco. Era preciso estar ao máximo no mundo real. Era preciso respirar tudo o que aconteceu. E foi o que fiz, respirei, Mas não sei o quando de ar digeri. De novo aqui, hoje cheio de pó. Um pó com peso de casa aberta em avenida movimentada. Aqui, lar das ideias de mais um. Esse um outro, de eu gritante, Por meses calado, agora retornado. Retornado de um mundo que nesses meses, Entornou muito. No mesmo dia do poço eu vi teus olhos, No mesmo dia chorei, Por lutos e sorrisos. Há coisas de mais no mundo, Sinto-me provocado. Provocado a viver e ter de lidar, Eu herdei o amor. Eu herdei a dor. Eu herdei a ex...

2012

Aqui o ano se finda, Foi vida Frenético um menino grita. Do poço ao teto, flutuo. As lagrimas vieram, Mas foi o vento mágico que levantou, Tanto que decolou. Intensidade. Nada foi em vão. O mar expandindo mentes. As dicotomias, As saídas solitárias, perdidas. Passos noturnos às sextas, Encarando o mundo. Existe mais força, quando não se tem força. Existe o amor, Existe uma flor exalando vida. Foi. Cavalos marinhos. Meninos. Caranguejos em castelos, Pedras gigantes empurrando problemas. Morro abaixo. Lagrimas. Noites proibidas. Dança. Loucura. Gritos de vida. Ideias, conclusões, criações. Planos. Novas casas. União. O bop batendo corações , Convulsões. Orgasmos musicais. Orgasmos carnais. Noites brancas. Lágrimas para uma loucura, De louco para louco. Lembranças. Estrelas simples e indestrutíveis. Me cheira! O terror de uma risada sem fim. Bonecas, Conquistas, Amores traídos, Amigos em perigo. ...

As conclusões de mentes novas

Quando a faísca é pouca para iniciar a chama, Qualquer inflamável é pouca isca. Quando o dia amanhece sem cama, Os olhos veem os sonhos adiados. Constrói-se um ano com tijolos de horas Pilha sobre pilha, O cimento da memória, segura os muros. Estão seguros? Não vai cair. As latas de alumínio ainda não enferrujaram minha carne. Eu bebi, virei cada gota que digeri. Bebi. Minha carne eu feri. Mas não enferrujei. Derreto-me aos poucos, Mas aos poucos não desisto. Insisto em um existir solto, Bicho do mato, Minha coleira a pele que me segura, Muda, Cercada de ordens perdidas. Mudando a todo tempo, Em um turbilhão de caos. Meu Deus é o tigre que ruge rouco, Apenas visto. Apenas sentido. Não emite ruído. Com a noite me engulo e espero o regurgito. Mais uma dose, viro. É preciso esquecer que não se tem o que quer esquecer. O golfo do México, mexe comigo, E o sombreiro me dissipa da luz. Doce inimigo. Estou seguro contigo. Longe ...