Postagens

Mostrando postagens de outubro, 2012

calor....

Soa tua gota que sonha em ver o céu, Soa! Quem sabe alguém escute, O suor dar seu grito: Liberdade, liberdade! Sonho! Céu seu soa! Soa! Cada gota que se foi de mim, Imagino que hoje está mais feliz Chovendo por ai...

gotas

Gotas travessas de todos os tamanhos, Roubam o calor das coisas Para poderem pular do céu de novo.

Onde está (no fim)?

está em todo lugar. no bla bla bla que ouço nos rádios. no cantar desesperado que soa da alma. no grito dos números nos jornais. no jeito calmo e torto de andar, sem ter onde ir. na certeza de não ter certeza. na conquista que falta e teima. nos paradoxos que jorram pelas ruas, como ondas, onde se mergulha, onde se afoga cercado de ar. no sonho inconstante e eterno, que morre, enorme. no peito de defeitos. no fio de ideia tão capilar que nem sei se passa sangue, mas que laça horas, em pensamentos no escuro. no tudo que petrifica o tédio. no nada que engrandece o vazio. no mundo de rimas sem solução. na vida de esquinas redondas, imperceptíveis, conduzidas pelo acaso como um labirinto mutável. tudo sempre da certo no final. ouço musica apenas por ouvir, mas no fundo, as vezes, me vem um sussurro... de quem? procuro. encontro. uma conhecida. sorrisos. Poesia.

.............

Que o vento forme historia E a historia flua vida Para que ao fim Valha sobreviver milênios Por minutos vida Livre Leve Fluido Onde o silencio diz o quanto as pessoas se conhecem

? !

Imagem
  _ Quando as duvidas e os sentimentos do ser, Formam um labirinto ao seu redor. Uma fusão de tudo. Uma confusão por nada. O que é o ser? O que é o ambiente? Uma coisa só diferente. Soluções coexistentes. Agora, o ser ambiente, a náusea. Algo visto no fundo dos olhos. Aquele lugar onde a carne se mistura com a alma, E todo contato é sensação, Não exige tradução. Um aperto no peito, Um frio no coração. Apenas entende-se. Sem palavras ou gestos,  Entende-se cego. Entende-se surdo. Entende-se mudo. Não cabe explicar, O que não é necessário falar em voz alta.

O procurador

Dono de uma inquietude quieta,                                                           Corrosiva. Aquela inquietude de olhar, Eternizada em estatuas, Fincadas no coração de praças. Seu corpo estático, Destoa da alma flutuante. Atenção em todo lugar. Traçando teias pelo ambiente. Tragando detalhes. Soprando deduções. Formando figuras com fumaça. Um absurdo em um ponto. Um romance de uma linha. Uma tragédia neblina. Tudo se desmancha no ar. Cada vez mais cheio. Cada vez mais teia. Um destruidor de bússolas, Colocando escadas em tudo o que é plano. Compartilhando a procura, Distribuindo acaso pelas ruas. Procurar é sua sina. Não achar, sua obra prima. P...

Mente deserto

Não faz sentido ter tantas jazidas de garimpo, No meio da mente deserta, do meu eu poeta. Onde nenhum faraó governou. Onde nenhum oasis triunfou. Não faz sentido. Mas mesmo assim, continua o garimpo. Tudo o que se cava o vento acaba cobrindo. Continua o garimpo. O tempo é quente ao dia, a noite é frio, Sempre sentindo ou achando sentido. Tentando descrever o horizonte infinito de dunas, Moldadas pelos sentimentos de um solitário perdido. De fala pouca e olhar pesado. De sonhos muitos e amores passados. Tento cavar, onde há pouco, quase nada. Tento cavar, minha pele, minha alma. Até minhas mãos caírem e não restar vida. Até não haver mais horizonte ou duna erguida. Mesmo que ao relento e para o vento. Vou gritar, cavar e garimpar. Até encontrar algo, ou morre sem encontrar. Esperança é fechar os olhos e acordar no mar. Quem disse que o impossível não pode formar caminhos? Quem sabe, um dia, algo brote do meu de...

..,..,...,.

Toda manhã os pássaros que piam Arrepiam as minhocas  que se aquecem ao sol

Lembrete

É preciso ter peito para não ter medo tendo medo.

Mais um ano

Mais um ano de tijolos empilhados, Construindo meus pedaços. Mais um ano fundindo memorias, Guardadas em livros de imagens solidas. Mais um ano, um novo humano. Sempre esse gosto de usado, trocado e lavado. Mais um ano, todo novo e todo velho. Todo eu, tão eu que nem me vejo não o sendo. Mais um ano na vida. Essa obra-prima brilhante, Nascida do pó das estrelas Da fagulha de uma duvida acesa E do amor pelo nada  E pelo tudo. Mais um ano,  Mais uma curva chegando. Mais passado fabricado, Mais presente entornando. Mais um ano. Mais uma vida. Mais construção. Mais acaso.                                                            ...

Dos passos a razão

Meus passos secos rimando desencantos. Sempre tortos, sempre pelos cantos. Os mesmos passos pelo chão molhado, Apenas olhares casualmente trocados. Palavras sussurradas ao ouvido de almas, Admiráveis historias nunca pronunciadas. Não posso defender um coração calado, Não aguento o peso do silencio amarrado. Não posso, simplesmente, aceitar não poder, Cada esquina que cruzo me custa um viver. Não posso me ferir insistindo em não mostrar, O que nasce espontâneo no fundo do olhar. Não posso, de forma alguma, deixar de lutar. Por todo e qualquer sonho, que pesco no ar. Dessas palavras nasce a lagrima, no peito, dissolvida, Formando bolhas belíssimas, dessa sangrenta tinta. Uma tinta vermelha que pulsa pelo papel, Com toda a força de meu coração de pincel. Sedento por vida, em um deserto de ilusão, Pulsando com a força do mais poderoso trovão. Quem sabe assim, um dia. Meus sentimentos abracem a razão.

Lembranças do Mar I

Som indo, Som vindo, Areia chegando e partindo. Construindo o que já foi. O vento levará, O mar invadirá, O tempo apagará, O que a memoria eternizará. Rumo ao horizonte sem fim, Aonde o mar chega e se afasta, Até terra nova. Até novo mar. Até o velho virar novo, E o futuro, o passado,  reencontrar . Há muita terra até o fim da terra. Há muito mar até o fim do mar. Há muito tempo até o fim da areia. Haverá muita vida até isso tudo acabar.

Muro do luxo

Imagem
De passos largos no meio do luxo Seguia tímido sentindo-me sujo. De passos largos um tropeço, A cara eu viro e de repente vejo. Havia uma piroca no meio do muro, No meio do muro havia uma piroca. Havia um muro no meio do luxo, No meio do muro havia uma piroca. Havia uma piroca no meio do muro, No meio do luxo havia uma piroca. Quem diria no luxo, Havia uma piroca. E eu o sujo sem roupa bacana, Quem diria sujo, olhando a piroca, Dura, escrota e torta. No meio do muro, no meio do luxo. É isso mesmo cidadão, No meio do luxo havia uma piroca, dando oi para quem passava. Parece absurdo mais veja só, No meio do muro havia uma piroca, penetrando olhos Para fecundando óvulos no cérebro. Parece mentira, mas eu juro No meio do luxo havia uma piroca, gozando nas mentes transeuntes. E cada um que gere sua cria, Mas não venham cagando maldizeres Sem fecundar porra nenhuma. A intenção é ter filhos, esforce-se um pouquinho. E caso esteja com pr...

Teia

Os versos cruzaram o ar, Bordando uma teia de veias. Armadilhas para sonhos, Colocados no céu por engano. Pulsando meu sangue, Ano após ano. Nenhum pássaro no ar, Nenhum peixe no oceano. Eu perdi meus versos Em um dia de sol. Evaporaram, Voltaram com a chuva. Chuva que rompeu a teia, Jogando ao chão o que guardei. Nenhum sonho restou Tudo que caiu se despedaçou. Os versos guardados, Juntaram-se a enxurrada. Desceram o rio, Rumo ao mar, Rumo a nada. E da falta da teia, O desejo de vê-la pulsar. Mais um ano passando, Uma nova teia bordada no ar. Da silhueta ao fundo da sombra, Emerge um cântico de esperança. Quem sabe dessa vez, Algum sonho fique na teia, Antes de o chão encher-se de veias. Quem sabe dessa vez, Algum sonho. Antes que a chuva venha com seus desenganos.

....,.,.,.,

O céu e o inferno estão no mesmo plano Basta saber jogar a pedra E não pisar nas linhas Ao pular dos anos.

Entendimentos de uma mente em crescimento

Passos colhendo, E brotando. Chão pelo ar Nuvens de vida, pelo céu, a passear, Se divertindo com os dramas refletidos no mar. Sopros agudos sussurrados ao espaço, Tocando leve, meus tímpanos de aço. Gemidos rindo seus prazeres na chuva, Molhado as superfícies, na cama, nuas. Juntos, unidos, Pele no som, alma nas ondas. Instrumentos gritando dores Acorrentadas na alma, Mas que palavras não conseguem exprimir. Nem sempre para entender é preciso saber explicar. Às vezes apenas entende-se, a energia contida no ar.

Uma explicação inútil. Para ninguém

Meus versos estão chorando, As gotas que não caem de meus olhos. Estão sofrendo, Tudo que engoli na vida. Estão gritando, Toda a minha mudez. Estão lutando, Todas as batalhas que me retirei. Estão amando, Todos os amores que não senti. Estão vivendo, Mas não pense que não vivo. Meus versos estão vivendo, Mas através de mim. Não por mim. Através.