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Mostrando postagens de novembro, 2012

A Náusea

Quando antes andava perdido, Entre vielas produtoras de gritos. A Náusea falava em meus ouvidos, Sobre a existência das coisas em que piso, Em que deito, Em que respiro...
No alto do monte Uma pedra e uma lapide Sobre o cinza os escritos: Morreu poeta. Nasceu sem nada, Viveu de sonhos. Deixou palavras.

A pena do dia

Uma pena caiu Do lado de fora da janela. Meus olhos foram direto a ela. Dançava sem se importar. Dançava por dançar. Indo para um lado e retornando ao outro. De um lado, para o outro, Em uma valsa, a pena e o ar. De um lado, para o outro, O ar guia, a pena se deixa levar. Em uma valsa, o mundo a soar. O ar e a pena, ponho-me a contemplar. Do lado de fora caiu uma pena. Do lado de dentro uma lagrima. Meus olhos cansados de cinza, Pela janela se aventuraram, Sem planos ou esperança, Guiado pelo sorriso do acaso. Meus olhos cansados sorriram, Diante tamanha grandeza. O acaso com sua pena no mundo, Transforma o banal em lembrança,  E encontra no simples, beleza.

Deitado

Suas mãos corriam pela face, Pingava absurdo de seus olhos. Todas suas unhas arrancavam-lhe, Algo invisível. Marcavam. O coração afundava. O ar parecia pouco. Os sentimentos ardiam fundo. A alma estava em convulsão. Cores trocando direções. O corpo não mexia. A mente tremia. As mãos pararam, Já não tinham o que arrancar. O vácuo do peito Sugava tudo a sua volta, Sem tirar nada do lugar. E tudo entrou em seu peito. E doeu lá, sem lá estar. Doeu o maior dos medos. O medo de viver apenas para amanha... O medo de viver para o amanha Doeu, ardeu, explodiu. Pois o amanha nunca é hoje. E um dia ele deixa de existir. Não há o que fazer. Ou se levanta e vive, Ou só te resta morrer.

ônibus cheio

o ônibus corre cheio. passageiros e seus sonhos de cidade, unem-se na viagem. olhos distantes. joias, carros , diamantes. já fui criança. já fui bebe. hoje vivo aqui. em meio aos sonhos metálicos, cresci. hoje meu peito é aço, nem percebi. há muito tempo, dor, parei de sentir. ônibus corre cheio. passageiros. todos passageiros. até não sobrar sonho. metal enferrujando. tempo passando. pois, se tudo passa quem é passageiro, já assinou sua sina.

Anotações de cidade II

no meio da cidade um homem gritou. ninguém se calou. no meio da cidade a fome o levou mais um. ninguém o viu cair. já estava no chão. apenas um bêbado. pagando seu erro. pagando pelo mundo de poucos com muito. no meio da cidade tanta historia sufocada, que se coubesse a um escritor transforma-las em palavras. não haveria papel ou tinta para materializar tal livro. no meio da cidade o único lugar que um mundo pode ser um numero. E uma novela pode ser uma linha, no canto de um jornal amassado, jogado no chão, onde alguém, um dia, morreu. ninguém viu. ninguém vê.

Anotações de cidade I

Barulho da cidade. Correria das almas. Tempo contando. Avenidas congestionando. Sorrisos poucos, Revezando esquinas. Uma sim, Muitas não. Roncos de motores. Sopros de ar quente. Carburadores. Distribuindo ar queimado. Muitas sim, Esqueci onde não.

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Vendem-se chances a quem não tem saída. Um bilhete de loteria. Papel carregando futuro, Ou fico rico, Ou continuo duro.

Euforia

A ira flui Euforia. Movimentos aleatórios Ritmados A 200 BPM. Fúria de palavras. Um dicionário declamado A cada segundo. Futuro virando passado. Mil sonetos borrifados, Informação e sentimento Ao ar. Tudo vira suor. Euforia. Contos modernos. Pessoas serias. Sorrisos falsificados. Todas as palavras, São partes de mim, São parte de um. Um tudo nada, Que grita. E declama. E gera lagrimas. Todos tentamos ir um pouco mais. Uma braçada à frente. Um passo. Uma queda Para lugar nenhum. E assim, Nossa eterna briga de chegar No mesmo lugar. Acaba virando uma espiral belíssima, Que oscila sua ira. Sua existência. Em euforia.

Momentos

Aguardando o movimento, No instante exato de sua iminência. Rodados em câmera super-lenta. Preenchendo cada pixel de sua pintura, Pendurada no meio de minha cabeça Com enormes pregos neurais. É preciso guardar tudo. O sorriso. O olho. O cabelo. O jeito. A voz. Os gestos. As caras. As bocas. Os pensares. Os dizeres. Torrões de açúcar, Em café amargo, No calor, misturados. Fumaça doce, Espalhando-nos, Ao vento, lento. Amargo tornando-se passado As cores, agora, exalam seus significados. Guardando tudo a cada segundo. Detalhes fractais. O infinito no finito. Aguardando. Em cada grão que cai em sua presença, Nasce um novo mundo para morar. Grama no asfalto a brotar. Nasce uma nova musica para tocar, No silencio, quando a solidão domina. Um novo sol, Para iluminar e aquecer os dias frios, Cobertos de muros. Um novo horizonte, Depois daquela montanha, lá longe. Sigo aguardando, De segundo em segundo, Juntando...
Uma palavra e tudo que ela implica VIDA                                                                    Seria possível poesia mais bonita?
folhas ao vento acariciando cada uma das células de meus olhos feixes de luz abraçando cada canto escuro do meu globo ocular a beleza está em todo lugar mas é preciso ter ela no peito para não a ignorar

tudo ou nada

Aos meus pés, toda a terra. Trocando passos como quem cria rotação. O mundo precisa rodar. O tempo não pode parar. Aos meus pés, os receios. Os pesares, As soluções falsas. Aos meus pés, países. E todas suas felicidades guardadas, Em quartos fechados com trancas enormes. Aos meus pés, o próximo passo. O próximo pedaço de chão, que me dará sustentação. De próximo em próximo, de pedaço em pedaço. Passos. Até o vazio que me conduzirá ao abismo. Infinito. Aos meus pés, linhas. Apontando, Ligando, grifando Promessas ignoradas. Lágrimas filhas da incompreensão, Derrubadas no fim de batalhas. Por quê? Aos meus pés, sonhos. Confundindo-se com pesadelos. Reflexos turvos em espelhos, Refletidos descontinuamente pela atmosfera. Sempre ao contrário. Na porta meio aberta do armário. Não pode ser lido. Não se traduz. É apenas luz, No fundo do peito. Aos meus pés, o mundo. E tudo que um sonhador pode tirar disso. Ou nada.