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Às vezes me sinto Um rato amarrado Em frente a uma tela Quero fechar os olhos Mas não sei fazer isso Então sigo Alimentando-me Pelas seringas que enfim Em minhas veias

Drama

E assim derrepente, Toda a magoa. Toda a tristeza. Todos os olhares. Se fizeram uma colossal tempestade de areia, Que corta minha pele sem sangrar. Cortam minha pele. Minha lembrança. Minha esperança. Minha cor. Cortam sem sangrar. E esse meu sensível corpo, Começa sua verdadeira e implacável batalha, Lutando pelo equilíbrio, Em meio a suas palavras. Lutando para ficar de pé, Em meio à realidade inegável. Um grito mudo no fundo, Desesperança em Luta! Ninguém ouviu. Corpo vazio, Em meio a uma fúria sonora sem sentido. Formada pelos fatos que se materializam, Como fantasmas de aço. Ectoplasma sólido, Que me abraça e me condena. Não posso atravessar paredes! Queima! Não posso... Paralisado, mudo, sem cor. Em meio à ventania que parece jamais passar.

A Pena negra na noite fria

E no fim tudo que ficou, Foi uma pena negra de sal. De um pássaro. Um corvo. Um corvo morto. Que rolava na calçada como uma lata de alumínio. Escorrendo pelo chão áspero e cortante. Rolando para ser amassado e jogado no lixo. O cenário perfeito de uma tragédia, Que percorria a noite, E em meio a triunfal chuva. Agoniante e fria. Diluindo o sal. Aos pês do mundo, Que não vê. E Então tudo o que fica, São as vozes tristes dos desesperados, Cujas frequências conjuram o úmido, O úmido de sal e água. Lagrimas Dessas bem secas, Que dormem nos cantos dos pássaros, Suprimidos por gaiolas. Lagrimas Que caem de meus olhos. No tempo da noite que passa, Engolindo as vozes tristes. Para trazer o terror. O terrível som fosco de corvos horripilantes, Batendo asas sobre meu ser. Em meio à noite fria. Que me prendia nesse pesadelo absurdo, Criado pelo desespero de meus olhos, Face aquela pena de sal, De um pássaro morto. Um corvo. ...

Continuidade

Continuo aumentando a idade A cada rotina engessada Acostumo a lagrimas Acostumo a nada Cheio de um lado Vazio na outra esquina. Dói em mim a flecha que não veio! O obstáculo que inexiste pesado! Pulando a mim mesmo A cada dez metros de tempo A cada dez tempos de metros A cada minuto que se vai                                                          e não volta mais.

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As palavras pelo ar Vem e voltam, Em meio à rotina Reta, que contamina Minhas retinas cortinadas. Tentando disfarçar a saída. Balançando sobre a parede Supostamente porta aberta, Mas que sempre foi solida De solidão indestrutivelmente quebradiça. As filas crescem, Brotam migalhas de assuntos mofados. Esperar nunca é cheio. É se desligar do presente por um futuro, Que mesmo em uma fila garantida pelo capital, Pode não ser assim tão presente.

O medo

Da falta das lagrimas, Resta a saudade de chorar. Essa estranha saudade, De jogar para fora a dor da existência. Essa estranha saudade, Que se mistura com o medo da batida. O medo de não aguentar o baque. O medo da face frente à tristeza dita real. A tristeza fatual, Pontual, A tristeza máxima. E da batida que não vem, Nasce outro medo. O medo de ter desaprendido a chorar. O medo de não ter glândulas funcionando, No momento de abençoar com lagrimas, o baque. O medo da falta de reação frente à desgraça. O medo da prova final, Que o define humano. O medo do inumano. O MEDO! Tantas vezes aqui citado. O medo que mora em nos, O MEDO! O terrível medo, Que te faz, com medo, Querer relembrar o medo. O MEDO! Que mesmo depois de tantas voltas, Não me derramou uma lagrima.

O Perdido

Mesmo com todas as cabeças rolando pela rua, Ele não sentia. Mesmo com todo o sangue correndo pelas avenidas, O mundo não o espetava. Não o arranhava. Não o feria. E o não ferir, Fez cicatrizes terríveis, Que ardem como o inferno. Deus! Como ardem. E nem um mar de gim o embebeda o suficiente, E nem todas ervas mofadas, E nem todas as pílulas magicas, E nem nada... O mundo roda em um redemoinho absurdo, E nunca uma luz acendeu-se por lá. Pois o buraco em que entrou era negro, E ele se perdeu. No existir e no inexistir, No sim e no não, Em todos os extremos distantes de soluções, Perdeu-se e é tudo tão... Inato, Insipido, Vazio, Perdido. Soluções feitas de nada, Tomadas aos litros, Goela abaixo. Goela abaixo. Ele se perdeu. As soluções não bastam, Ele se perdeu. As lagrimas não significam mais nada.