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Meu coração bate em minha mão.

Meu coração bate em minha mão, Furiosamente louco, Em desespero rouco de existir Mesmo que solto Pelo universo, que o convém ser. Meu coração bate em minha mão. E a minha frente todo este escuro É o momento que vai passando E já era tempo. Meu coração bate em minha mão. Pois o abismo do tempo dos homens, Engole gente como piranhas mecânicas enormes. Olhos vermelhos, chaminés e fumaça negra. Comendo pessoas como bois de piranha. Pedagiando os cruzados com sacrifício. É único, o caminho. Coisas da vida. Meu coração bate em minha mão. Pois sinto o belo dessa ausência de eterno. Essa incerteza infinda. Esse frio na barriga que te moves. E me movo, como o sol que entra pela janela, E se vai morno, para o fim chamar o novo, Em gotas homeopáticas de rotina. Até que seja a hora do adeus, O fim que mora no amanha, Até o dia que será hoje. Meu coração bate em minha mão Pois uma mulher faz do meu presente, sonho. Enchendo minhas veias de en...
Sou eu, como tu. Tão igual ao que odeio. Que nem consigo escrever.
Hora de dormir Amanha tem que acordar O dia começa de novo O presente não pode esperar Hora de dormir Impossível negar O Futuro sem existir Teima em inquietar Hora de dormir Hoje já vai passar O Passado é tempero da vida Abismo de cair ou voar Hora de dormir Não há nada a falar A cidade mantem seu barulho Tudo bem Deixa pra lá

O Grande Prazer da Participação

Letras aladas, Ansiosas pela chegada ao papel. Apertam-se rumo a cuca nova. Empurra-se J    o       r         r           a              -                s                  e Escoa-se Emana-se Nova terra! Que venha ela! Fértil e bela! Nova terra! Olhos de vento. Guiam sementes. Pontos crescentes De arvores transparentes. Gigantes invisíveis, Perceptivelmente latentes. Vidro que ocupa senso. Quando visão trava distante, no reluzente abrir de uma ideia nova. Sorri, que ela é tua. Tua e de mais ninguém. E caso palavras suas, Venham, por desejo, soltá-la nua. Rumo a cabeça de um novo alguém. Com alguma sorte e nenhuma certeza. Restará dela ser semente, Possível árvore de um outro alguém. Ideia nova que não é tua, Pertencerá ao outro que agora a tem.
Gagueja os versos, baixo. Sopra sua existência atrevida a deriva. Fantasmas do informático seguem tua tentativa. Leitores virtuais contemplam os binários a realizar seus milagres. Vampiros enchem de números e linhas azuis meus gráficos pontiagudos. E assim, vou acostumando-me ao relevo de meus olhos sobre o meio inerte. Deixa ser. Que as palavras caíam sobre o papel que se pôs em tela. Destinada a elas, mesmo que pequenamente. Inconsequentemente caladas em teu canto absurdo, Totalmente despovoado de plateias falantes. Apenas palavras de um rosto mal iluminado, Talvez misteriosamente fadadas a algum fantasma. Mesmo que nanometricamente. Aleatoriamente calados. Eu de cá. E Tu daí. Assinemos um pacto desenhado pelos anjos, E admirado por Deus e por quem não existe.

Isso

A força imóvel corrompe a vontade, Olho pela janela para ver a cidade. O mar de luzes cria teus detalhes. Como ver partes do silêncio criado. Encarar o horizonte até ele sumir Evaporar nos sentidos que o fizeram visto. Dissipar-se em incontáveis pontos, Todos contidos em teus olhos Expandidores de mentes desertas Ilusoriamente entregues aos oásis distantes Da meditação fulgurante do tempo. Que jorra fervente pela espiral aquarelada do momento. Rumo à tela branca do futuro! Seguimos todos juntos pelo fim do não realizado, Posicionando cada cor em seu lugar, Para abastecer lindamente a galeria de arte da existência. Ah! Como me agrada fazer da vida tela. Caminhar em direção àquela montanha, Que por trás de outras gritava liberdade. Por sobre os prédios, ruas e lares. Por toda cidade, por toda parte. O monte que quero é sempre o próximo, Que de próximo em próximo sonho o infinito, Sem saber que me cabe o infinito. O perpétuo perene intermin...
Filas de espera e alguma correria de sexta-feira nas calçadas. Ao pé do museu encolhido e breve, guardo meus olhos Como um sorriso percebido por um estranho. Rápido, mordido e doce. É cidade minguar pela escada enquanto o dia se vai. Um ponto ao pé do gigante estrategicamente iluminado para intimidar a noite. Que mesmo assim vem e por isso a espero, Junto à sombra que surge tímida de pouco a pouco na barra da pedra. Rostos iluminados frente ao milagre do ato. Olhar, observar, vislumbrar, lobrigar, mirar. Ver o metafisico da surpresa, A parte plasmática da matéria. O ectoplasma das coisas. O Flâneur final das ruas cerebrais. Ao pé do gigante a cidade vai fechando suas portas para a noite de sexta passar. Do alto do céu o sol se despedindo grita para a lua: Prepara o sábado em seu fogão pago em 24 prestações. Que amanha tem visita, festa e mesa. Cabeças presas aos corpos escondem o interessante do estranho. Os maneiros fumam seu cigarro e mantem o d...