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Mostrando postagens de agosto, 2012

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Às vezes me sinto Um rato amarrado Em frente a uma tela Quero fechar os olhos Mas não sei fazer isso Então sigo Alimentando-me Pelas seringas que enfim Em minhas veias

Drama

E assim derrepente, Toda a magoa. Toda a tristeza. Todos os olhares. Se fizeram uma colossal tempestade de areia, Que corta minha pele sem sangrar. Cortam minha pele. Minha lembrança. Minha esperança. Minha cor. Cortam sem sangrar. E esse meu sensível corpo, Começa sua verdadeira e implacável batalha, Lutando pelo equilíbrio, Em meio a suas palavras. Lutando para ficar de pé, Em meio à realidade inegável. Um grito mudo no fundo, Desesperança em Luta! Ninguém ouviu. Corpo vazio, Em meio a uma fúria sonora sem sentido. Formada pelos fatos que se materializam, Como fantasmas de aço. Ectoplasma sólido, Que me abraça e me condena. Não posso atravessar paredes! Queima! Não posso... Paralisado, mudo, sem cor. Em meio à ventania que parece jamais passar.

A Pena negra na noite fria

E no fim tudo que ficou, Foi uma pena negra de sal. De um pássaro. Um corvo. Um corvo morto. Que rolava na calçada como uma lata de alumínio. Escorrendo pelo chão áspero e cortante. Rolando para ser amassado e jogado no lixo. O cenário perfeito de uma tragédia, Que percorria a noite, E em meio a triunfal chuva. Agoniante e fria. Diluindo o sal. Aos pês do mundo, Que não vê. E Então tudo o que fica, São as vozes tristes dos desesperados, Cujas frequências conjuram o úmido, O úmido de sal e água. Lagrimas Dessas bem secas, Que dormem nos cantos dos pássaros, Suprimidos por gaiolas. Lagrimas Que caem de meus olhos. No tempo da noite que passa, Engolindo as vozes tristes. Para trazer o terror. O terrível som fosco de corvos horripilantes, Batendo asas sobre meu ser. Em meio à noite fria. Que me prendia nesse pesadelo absurdo, Criado pelo desespero de meus olhos, Face aquela pena de sal, De um pássaro morto. Um corvo. ...

Continuidade

Continuo aumentando a idade A cada rotina engessada Acostumo a lagrimas Acostumo a nada Cheio de um lado Vazio na outra esquina. Dói em mim a flecha que não veio! O obstáculo que inexiste pesado! Pulando a mim mesmo A cada dez metros de tempo A cada dez tempos de metros A cada minuto que se vai                                                          e não volta mais.

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As palavras pelo ar Vem e voltam, Em meio à rotina Reta, que contamina Minhas retinas cortinadas. Tentando disfarçar a saída. Balançando sobre a parede Supostamente porta aberta, Mas que sempre foi solida De solidão indestrutivelmente quebradiça. As filas crescem, Brotam migalhas de assuntos mofados. Esperar nunca é cheio. É se desligar do presente por um futuro, Que mesmo em uma fila garantida pelo capital, Pode não ser assim tão presente.

O medo

Da falta das lagrimas, Resta a saudade de chorar. Essa estranha saudade, De jogar para fora a dor da existência. Essa estranha saudade, Que se mistura com o medo da batida. O medo de não aguentar o baque. O medo da face frente à tristeza dita real. A tristeza fatual, Pontual, A tristeza máxima. E da batida que não vem, Nasce outro medo. O medo de ter desaprendido a chorar. O medo de não ter glândulas funcionando, No momento de abençoar com lagrimas, o baque. O medo da falta de reação frente à desgraça. O medo da prova final, Que o define humano. O medo do inumano. O MEDO! Tantas vezes aqui citado. O medo que mora em nos, O MEDO! O terrível medo, Que te faz, com medo, Querer relembrar o medo. O MEDO! Que mesmo depois de tantas voltas, Não me derramou uma lagrima.

O Perdido

Mesmo com todas as cabeças rolando pela rua, Ele não sentia. Mesmo com todo o sangue correndo pelas avenidas, O mundo não o espetava. Não o arranhava. Não o feria. E o não ferir, Fez cicatrizes terríveis, Que ardem como o inferno. Deus! Como ardem. E nem um mar de gim o embebeda o suficiente, E nem todas ervas mofadas, E nem todas as pílulas magicas, E nem nada... O mundo roda em um redemoinho absurdo, E nunca uma luz acendeu-se por lá. Pois o buraco em que entrou era negro, E ele se perdeu. No existir e no inexistir, No sim e no não, Em todos os extremos distantes de soluções, Perdeu-se e é tudo tão... Inato, Insipido, Vazio, Perdido. Soluções feitas de nada, Tomadas aos litros, Goela abaixo. Goela abaixo. Ele se perdeu. As soluções não bastam, Ele se perdeu. As lagrimas não significam mais nada.

Soluções de verão

Cheiro de remédio, Lembranças erradas. Branco assustador, Dentes afeiçoados. Azulejos fora do lugar, Chão desnivelado, Arranca memoria ruim, O resto usa depois, Para curar dia sem graça. Pílulas magicas. Matam depressão. Felicidade vazia, Única solução. Olhos tristes, Vomitam sangue, Cheiro de remédio. Lembranças erradas, Nariz reto. Maligno sorriso, Medo de frestas, Mundo de sombras, Arrasta o que resta, Solução dissolvida, Cheiro de remédio. Viagem combatida.

A Piada

Oh! Mundo onde tudo é certo, Os prédios são retos, E os passos são bêbados. Oh! Mundo negro brilhante madrugado, Onde pousam as esperanças dos desesperados. Oh! Mundo pela metade, Docemente desfrutado, Pelas fontes de lagrimas ambulantes. Que andam e se embebedam, E se embebedam de esperança, Em gerar lembranças joias, Que compensem de alguma forma, Esse imenso absurdo. Oh! Mundo plural, Com sua dimensão fractal desdobrante Dobrando e desdobrando mundos, Dentro de mundos, dentro de muitos Mundos dentro de mundos, Dentro de nada. Para de nada. Oh! Mundo escute esse babaca, Tudo é uma piada. Uma linda piada. Que nunca foi inventada.

lev ar

Perdido nos labirintos Parado no mesmo lugar Existindo entre o sim e o não Deixando o tempo comer a decisão Deixando o tempo comer as palavras Deixa ndo o te m p o  m e  lev ar

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Era vazio, sempre foi Era escuro, aprendeu a enxergar Era frio, aprendeu a se agasalhar É vazio É escuro É frio Mas nunca deixou de ser Aprendeu a esperar Sempre esperou Talvez morra de esperança A esperar o que não sabe O diferente de vazio, escuro e frio. Esse diferente possível utópico Que enfiaram em minha cabeça E que nem sei se me cabe.

À 'Patafisica

O ar pesado, Metáforas, Soluções inexistentes. Um livro vermelho, Cantado em voz alta. Um novo mistério, Surgido do nada, Sem direção, Para o nada. Uma nova forma, Um novo encanto, O ser adimensional. Tratando exceções. Inventando absurdos. Infinitando possibilites. Incrivel arroma al. O ser dos seres. O ‘Patafisico.

Reflexão sem sentido

Sobre as ruas ficam lençóis brilhantes, Cobrindo a tristeza com beleza. Brilhe! Brilhe até o fim, para queimar meus olhos, Para que não veja mais tristeza. Vou cobrir o mundo com pétalas, Para esquecer dos espinhos, Espinhos que cravaram e demoraram. Enchendo de sangue, Copos e copos, Garrafas e garrafas, Jarras e jarras, Que se enchem e se esvaziam, Com imensa velocidade, Incansavelmente, Imparáveis, Sem fim, Dançando com o absurdo, Implorando pelo acaso, Seguindo a musica, Esvaziando garrafas, Fazendo mais sangue. Não há motivos ou pesos, Apenas segue-se o ritmo. Segue-se o ritmo, Talvez, fique bonito. E se não... Mesmo assim, É melhor que o vazio.

Quando a chuva vem de alguem

Dos olhos da lua, Caem lagrimas, Que pousam em minha cabeça. As pessoas falam que é chuva. Mas no fundo do meu peito, sei. São lagrimas da lua.

O momento

Cordas, peles e metais esticados. Sons gritados. Um único amor emitido por caixas, Que ensurdecem problemas. O momento fora de tudo, Excitado por nada. O momento sem tempo, Onde o ser, se faz ondas, E as vibrações o gozo. Que ao fim disso tudo, Transformar-se em lagrimas Da mais pura felicidade.

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Pecados colhem        Recados Secados na dor

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um ar canalha por entre folhas curtas soava e cantava noite adentro pousava sem receio desavergonhadamente nos ouvidos descrentes movidos inocentemente pelo gritar vigente daquele que não merece sentido ou sentimento aquele que existe apenas assim sem sentido sem sentimento sem dor sem nada existir por existir não há de valer a pena prefiro o drama para manter o vazio cheio