Algum Lugar

Minha única esperança é essa,
Em algum lugar meu descanso resta,
Em algum lugar entre ruas desertas e portas entreabertas.
Em algum lugar onde o simples torna-se profundo e tudo faz sentido.
O fato é que a realidade passou por aqui,
e como um cometa, engoliu intensamente meus sonhos loucos de jovem careta.
Um violão velho em um lugar belo, uma rede balançante e uma moça de vermelho.
Ah a moça de vermelho presente em tantos poemas quanto em corações apaixonados.
Nunca me apaixonei tão loucamente a ponto de morrer se for preciso.
Mas como minha alma pede isso,
 Como viver torna-se tão sem sentido quando não sinto isso.
A realidade passou por aqui, e eu nem vi sua presença sóbria me transformar.
Minha alma romântica solidificou-se os acordes saem roucos.
As moças de vermelho são bonecas infláveis com seus corpos frios de plástico.

Minha única esperança é a vida voltar,
 Minha única esperança é tudo mudar.
Quem sabe uma moça de vermelho seja tão quente,
que faça meu coração liquefazer-se em amor
Essa é minha esperança e por causa dela espero.
 Me junto a rotina, me preparo pra guerra.
Tudo para que quando ela chegue, o violão volte a soar aberto,
E os pássaros antes discretos,
Cantem exaltando o ar a não mais faltar.
Sim!  Eu a esperarei  entre mortes e números,
Entre erros e acertos.
Tudo para que um dia sentado em uma rede com uma bela vista,
Ela venha me abraçar.
E tudo que antes me consumia e me enfraquecia,
desapareça diante da gloria da verdadeira vida.

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