Canto ao Progresso

Caio do alto de um prédio raso,
Para cantar esse canto duro,
O mal do mundo é o suicídio lento,
Nossa vida escorrendo como a areia no vento,
Tentamos morrer,CO2, ozônio, geleiras a derreter….
Por quê?
Podemos até nos ruir, mas…
Vamos fazer isso de uma vez!!
Sofrer aos poucos?!
Pra que?

Coloquem o sangue em um crânio,
Tomemos o miolo da dor,
Pulemos de um prédio sem choro,
Vamos…
E a natureza que é a obra bela,
Ousamos cantá-la em por ai,
Dizemos que a amamos até não precisarmos dela,
 E quando ela vira as costas
Surpresa!  Uma faca na barriga.
Estupra, cospe, trucida,
O homem é obra dela,
Mas quem liga?
Que deixem rolar o circo
Com seus palhaços de risos irônicos…
Somos filhos ingratos,
Filhos do mato,
Tão imortais em nossa glória,
Que vamos com ela rumo à fossa.

Acordemos filhos da Terra!
Olhe bem o que tomaste,
Esse veneno é doce no começo,
Mas depois tudo tem seu preço,
Anulemos o câncer que nutrimos!
Antes que esse nos leve,
Porque sim,
O progresso parece caminhar sem fim,
Mas ele acaba no fim de seus passos.

Oh! Doce progresso,
O pó que te fez é o mesmo das estrelas,
E para as estrelas tu retornará um dia ou outro,
Sorri progresso humano!
Seu copo de café amargo,
Adoça-se com arsênico.
Sorri! Vai adiante,
Anda pra trás e com a pá cava seus sete palmos…

Sorri triste. Oh! Olhar da ruína,
Pois se vivi e vi isso,
Escrevo para que mude,
Porque se a natureza é bela,
Ela também é severa,
Não se paga hoje, mas…
Não se esqueça…
Um dia paga-se.
Um dia paga-se.

Comentários