Postagens

Mostrando postagens de 2013
A intensa chuva Molha o ar, limpa a rua Abre para o sol.
Planta crescida Jardineiro poda Concreto não
O vento sopra A fogueira balança Mais fresca
a aleluia voa em busca de luz mas não quer lua.
Deixo-me ir pela janela Aquela, que de costas. Ponho-me a mirar, Olhos de plástico. Deixo voar, literalmente. A pensar pela semente, Como gente. Pessoa, bicho homem. Humano. Crescendo como raiz. Espalhando-se carente, Pela terra seca de si. Caçando nós, Ligações nutrificantes. Sonhos penetráveis. Terra fofa e úmida. Algo que não seja vaso. Ponto final de terraquário. Algo que não seja fim. Onde deveras eu fui plantado? Quando eu terei ido demais para o lado? Eu não sei. Busco algo. Algo que não seja vago, Sem motivo, estapafúrdio. Algo quebra-cabeça. Que seja  racionalizável! Que seja encaixável! Que seja interpretável! Que seja motriz! E quem disse que não é? Talvez a ausência do sentido que te cerca, É o sentido em voz alta lido, Pelo tempo, para o Universo. Que da altura do infinito. Sorri, Chora, Vive. Cada segundo de nós. Assim, absurdamente. Sendo tu, porque tu, o é.

Meu coração bate em minha mão.

Meu coração bate em minha mão, Furiosamente louco, Em desespero rouco de existir Mesmo que solto Pelo universo, que o convém ser. Meu coração bate em minha mão. E a minha frente todo este escuro É o momento que vai passando E já era tempo. Meu coração bate em minha mão. Pois o abismo do tempo dos homens, Engole gente como piranhas mecânicas enormes. Olhos vermelhos, chaminés e fumaça negra. Comendo pessoas como bois de piranha. Pedagiando os cruzados com sacrifício. É único, o caminho. Coisas da vida. Meu coração bate em minha mão. Pois sinto o belo dessa ausência de eterno. Essa incerteza infinda. Esse frio na barriga que te moves. E me movo, como o sol que entra pela janela, E se vai morno, para o fim chamar o novo, Em gotas homeopáticas de rotina. Até que seja a hora do adeus, O fim que mora no amanha, Até o dia que será hoje. Meu coração bate em minha mão Pois uma mulher faz do meu presente, sonho. Enchendo minhas veias de en...
Sou eu, como tu. Tão igual ao que odeio. Que nem consigo escrever.
Hora de dormir Amanha tem que acordar O dia começa de novo O presente não pode esperar Hora de dormir Impossível negar O Futuro sem existir Teima em inquietar Hora de dormir Hoje já vai passar O Passado é tempero da vida Abismo de cair ou voar Hora de dormir Não há nada a falar A cidade mantem seu barulho Tudo bem Deixa pra lá

O Grande Prazer da Participação

Letras aladas, Ansiosas pela chegada ao papel. Apertam-se rumo a cuca nova. Empurra-se J    o       r         r           a              -                s                  e Escoa-se Emana-se Nova terra! Que venha ela! Fértil e bela! Nova terra! Olhos de vento. Guiam sementes. Pontos crescentes De arvores transparentes. Gigantes invisíveis, Perceptivelmente latentes. Vidro que ocupa senso. Quando visão trava distante, no reluzente abrir de uma ideia nova. Sorri, que ela é tua. Tua e de mais ninguém. E caso palavras suas, Venham, por desejo, soltá-la nua. Rumo a cabeça de um novo alguém. Com alguma sorte e nenhuma certeza. Restará dela ser semente, Possível árvore de um outro alguém. Ideia nova que não é tua, Pertencerá ao outro que agora a tem.
Gagueja os versos, baixo. Sopra sua existência atrevida a deriva. Fantasmas do informático seguem tua tentativa. Leitores virtuais contemplam os binários a realizar seus milagres. Vampiros enchem de números e linhas azuis meus gráficos pontiagudos. E assim, vou acostumando-me ao relevo de meus olhos sobre o meio inerte. Deixa ser. Que as palavras caíam sobre o papel que se pôs em tela. Destinada a elas, mesmo que pequenamente. Inconsequentemente caladas em teu canto absurdo, Totalmente despovoado de plateias falantes. Apenas palavras de um rosto mal iluminado, Talvez misteriosamente fadadas a algum fantasma. Mesmo que nanometricamente. Aleatoriamente calados. Eu de cá. E Tu daí. Assinemos um pacto desenhado pelos anjos, E admirado por Deus e por quem não existe.

Isso

A força imóvel corrompe a vontade, Olho pela janela para ver a cidade. O mar de luzes cria teus detalhes. Como ver partes do silêncio criado. Encarar o horizonte até ele sumir Evaporar nos sentidos que o fizeram visto. Dissipar-se em incontáveis pontos, Todos contidos em teus olhos Expandidores de mentes desertas Ilusoriamente entregues aos oásis distantes Da meditação fulgurante do tempo. Que jorra fervente pela espiral aquarelada do momento. Rumo à tela branca do futuro! Seguimos todos juntos pelo fim do não realizado, Posicionando cada cor em seu lugar, Para abastecer lindamente a galeria de arte da existência. Ah! Como me agrada fazer da vida tela. Caminhar em direção àquela montanha, Que por trás de outras gritava liberdade. Por sobre os prédios, ruas e lares. Por toda cidade, por toda parte. O monte que quero é sempre o próximo, Que de próximo em próximo sonho o infinito, Sem saber que me cabe o infinito. O perpétuo perene intermin...
Filas de espera e alguma correria de sexta-feira nas calçadas. Ao pé do museu encolhido e breve, guardo meus olhos Como um sorriso percebido por um estranho. Rápido, mordido e doce. É cidade minguar pela escada enquanto o dia se vai. Um ponto ao pé do gigante estrategicamente iluminado para intimidar a noite. Que mesmo assim vem e por isso a espero, Junto à sombra que surge tímida de pouco a pouco na barra da pedra. Rostos iluminados frente ao milagre do ato. Olhar, observar, vislumbrar, lobrigar, mirar. Ver o metafisico da surpresa, A parte plasmática da matéria. O ectoplasma das coisas. O Flâneur final das ruas cerebrais. Ao pé do gigante a cidade vai fechando suas portas para a noite de sexta passar. Do alto do céu o sol se despedindo grita para a lua: Prepara o sábado em seu fogão pago em 24 prestações. Que amanha tem visita, festa e mesa. Cabeças presas aos corpos escondem o interessante do estranho. Os maneiros fumam seu cigarro e mantem o d...
Mil raios sobre a tenda Dominam minha ementa Sou discurso confuso Arbitrando juízo de fusos Leve onda umidificadora de olhos Arde à alma, mostra teus dentes Sou doutor de esquina vazia Advogado de sementes Palavra escorre pelos morros Envolve o que há de mentes Criam suas rotas dementes Evaporam e arranham gente Estrada cadavérica de rosas Separa ideia de memoria Para cada bocal uma lâmpada Para cada gaveta uma historia
Ler é ponte de mentes, Que em letras forma-se derrepente. Se olhas de portas fechadas Ler é apenas Ler. Se andas e passeia pelas partes Ler é criar novo você. E de novo em novo, Aprende aos poucos a cortar madeira. Juntar pedaços e amarrar bem amarrado. Toda tua força em cada laço. Depois de bem firme, joga-se o artefato ao alto. Verifica-se meio desconfiado e olho arregalado. Onde cairá meu singelo pedaço? Quem olhará meio ensoneado? Quem virará rosto pro lado? Quem sorrirá meio desleixado? Quem mudará formando novo pedaço? Quem? Pois bem, Não me diz respeito. Eu, vivo e apenas escrevo. O que colho do acaso agradeço. O que não vejo apenas não vejo. Amem
Entregue ao inverno ventoso de uma sala de luzes, musicadas aos fundos de bundas apocalípticas. Giram círculos contínuos hipnotizantes tão ácidos, que derretem as pirâmides do Egito e transformam todo o deserto em abismo. Vazios negros rodando em imensos e absurdos redemoinhos de whisky energizado acompanhado com gelos bem vestidos e arrumados . Tudo pelo ralo de oito olhos vidrados, em um parque de diversões escorrendo docemente por um tubo de pernas para o alto. Cuidado. Quando a decima folha da segunda árvore do inverno cair. Não há de sobrar olhos para vê-la partir em marcha andante com seu doce amante. Um velho barbudo chamado Vento Tímido, cujas historias emitidas por pés frios cruzam montes até em dias de verão. Sim! Ele, o secular habitante desprezível do espaço curto rente ao chão das ilusões, veio de supetão. Tirar tua meia e molhar teu tapete em hora de felicitação. Nem olhos sobrarão amigo. Cuidado. Nem olhos, que são o verdadeiro motivo. A garrafa de whi...
Lá do outro lado da ponte, Perto daquele monte. Há um pé de sabedoria, Que quando o suficiente cresce E consegue-se subir até o alto. Pode-se ver surgir do monte, A tal da felicidade. Que como um grilo extasiado, Vem saltitando pelo gramado. Nua e pés descalços. Enchendo a pupila das folhas de orvalho.

Sim

Dá para existir Sem aval do mundo. Dá para dizer-se Eu Sem o carimbo de ok. Dá para ser uma lenda Sendo apenas mais um.

O Abraço

Braços de pluma, Assopram como poeira Todo o peso que pulsa em minhas veias. Libertando minha alma da carne passageira. Fazendo-me fluido desconhecedor de fronteiras. Suavemente pelo ar. Dois corpos parados,  Duas almas a dançar. Livres e enlaçados, Na arte de teus braços Torno-me abraço E por querer ser abraço Ser-me belo tornar. Deixar os segundos correrem Na rua ou em qualquer lugar. Deixar o tempo sair de carro. Até o sinal abrir ou o celular tocar. Deixar. Que enquanto abraço somos. Fazemos da eternidade nosso lar.

Delírio

De longe olhos perdidos Toda noite de frio Juntam-se em coro uníssono Oh vento que bate me toca de leve carrega de mim parte e leva para quem é leve Oh vento que toca me leve de touca carrega minhas trouxas e vamos para o mar Oh vento que leve me touca de frio cuidado comigo que posso gripar De longe olhos perdidos de malucos fumantes a espera do último domingo de verão. Acham frio quem vem do vento de uma janela aberta de apartamento alto, sexto, sétimo ou chato. Que faz barulho de grito fino assobiado para o espaço. E tem cheiro de asfalto recém aprontado após um sábado complicado de muitos buracos. De longe Todos procuram algo De perto Delírios, cantos e absurdos É doce cantar para ninguém Não devo sentido Não espero Amém.

,.,.,

as palavras vem em rio, escorrendo sem controle. enquanto houver caminho, escorre. enquanto houver morro, move. quando cacheira poesia, banha moça, rapaz e roupa. quando sonhador garimpa, acha de ouro, pepita. as palavras vem em rio, sonhando com o mar. mineiro quieto escreve: morro aqui não há de faltar. Ainda bem.

frase curta

frase curta noite escura grito baixo silêncio fundo entre cobertas corpos nus entre lençóis almas juntas amar-nos amando eu e tu tu e eu um nó nós um só em dois em dois um nós

No caderno as palavras tem sido muito riscadas

Paginas borradas e seus pingos de café. O tempo para passar é menor, O para dormir também. O ambiente não sumiu com as manchas. O vento de inverno sopra, lento. Algumas folhas espalham-se pelo chão, Corpo estacionado viaja longe de si. Células deixam mente e braço roça o chão. Musica beija o ambiente. Lentamente, Sentir. Estar perto de ti, Quando tu longes de mim. Estar por aqui. Abraçando-te daí.

Tempo de domingo

Aqui um verso ameno para fazer bem a quem convêm.... A brisa perdida em pleno feriado. Tocou o corpo molhado, Que vibrou em frio congelado Até a toalha beijar pele. Passou o frio veio sol leve, Abraçou ser que riu entregue. Hoje só é assim porque amanha não é. Ontem não foi e só de vez em quando é. Tempo de domingo disfarçado. Não tem nome, mas caminha lento. Tem pês descalços e roupa folgada. Tem vontade de rede e bossa nova. Tempo de domingo é coisa tão rara. Que passa domingo, Vira segunda mas não vem. Mas quando vem... amem. Só de vez em quando que é. Mas quando é. É e pronto. Quando é é.

Socorro

O presente é uma forma de mudar o passado empurrado para o futuro. Deitado em meu cárcere de liberdade surdo-me mudo. Vou viver a ignorância para que a dança ponha-me idade. Tijolos caem todos os dias de minhas construções moribundas.  Na cabeça de que? Caudalosas curvas de meus nervos furiosos. Respondam! Na cabeça de quem eu martelo? Não sei. Não saberei, pois os poucos que se importam. Deram-se ao luxo de serem tímidos. Em um mundo de frenéticos extrovertidos imagéticos.
A poesia jaz em algum lugar escondido, Dentro de todo lugar. Onde os ouvidos veem. Onde as mãos escutam. Onde os olhos pegam. O que está por todo ar,  O mais difícil de achar. Controles para o que não é meu. Não vendem no mercado ali da esquina. O que doma o imaterial, Não trabalha no circo nem na loja de animais. Mistério é mistério. Que fiquei aqui o mais veloz do eterno, Que amanha posso estar velho, E minhas letras não falarem mais.

,

A brisa do ventilador ventila, Mas não tira a dor. Tem barulho de chuva, Mas não tira o calor. Tem vento apresado Mas não trás chuva. O tato é sopro em pele molhada, O tempo é claro de miragem ensopada. Calor Giram paletas cortando o ar Voando perdidas no mesmo lugar Para onde vão? Presas por função. Para onde vão? Se não o teto, um canto, ou o chão. E porque não vão. Penso que choram seus sonhos de avião. Enquanto no avião. As outras choram seus sonhos de chão.

.,

o campo está cheio eu queria saber por onde ando mas não saberei contento-me com os passos a semana está ai para passar outra vez o mês também  os anos me encaram de perto olhos nos olhos com uma face que não existe o futuro tem a cara escura tenho medo do passar preciso lembrar que meus olhos estão abertos  não há como garantir isso tento lembrar cortei uma pá de coisas da minha cabeça não saiu nada dela os cabelos ainda crescem  a barba ainda cresce os graus ainda aumentam os passos largos se engolem um zumbi correndo pela cidade tem fome de que? se fosse apenas de carne  haveria de ser mais fácil viver.

Para lembrar que um dia é diferente do outro mesmo que o nome seja sempre o mesmo

Não se pode falar de  domingo em pleno sábado. Mesmo que de alguma maneira seja domingo no outro hemisfério. Eu me recuso a aceitar. Não se pode falar de domingo em plano sábado. Não é domingo amigo. É sábado. Me recuso a falar de domingo em pleno sábado. Me recuso! Pois se falar, no domingo posso estar a falar de segunda, e assim na segunda falar da terça e na terça falar da quarta, e assim sucessivamente acabaria por falar de todos os dias que não vivi.

.

Pouca cor Há seu sabor Leve Daqueles que a língua busca Gosto Demora Sorri de meia boca Porta bem fechada para não fugir gosto Leve Pouca cor Daquelas que os olhos buscam memória Para preencher a falta.

Bem aqui estou

Após meses desligados a volta,  Não há de ter sido nada. Aqui onde ninguém via, sumiu, ninguém viu. Mas de cá da tela o mundo continua. Dai, não sei se faltou o que existia aqui. Nunca saberei. Voltei. Desligado por um objetivo, Voltando sem o ter comprido, Talvez apenas pretexto do acaso. Uma dica seguida, para um ajuste de foco. Era preciso estar ao máximo no mundo real. Era preciso respirar tudo o que aconteceu. E foi o que fiz, respirei, Mas não sei o quando de ar digeri. De novo aqui, hoje cheio de pó. Um pó com peso de casa aberta em avenida movimentada. Aqui, lar das ideias de mais um. Esse um outro, de eu gritante, Por meses calado, agora retornado. Retornado de um mundo que nesses meses, Entornou muito. No mesmo dia do poço eu vi teus olhos, No mesmo dia chorei, Por lutos e sorrisos. Há coisas de mais no mundo, Sinto-me provocado. Provocado a viver e ter de lidar, Eu herdei o amor. Eu herdei a dor. Eu herdei a ex...

2012

Aqui o ano se finda, Foi vida Frenético um menino grita. Do poço ao teto, flutuo. As lagrimas vieram, Mas foi o vento mágico que levantou, Tanto que decolou. Intensidade. Nada foi em vão. O mar expandindo mentes. As dicotomias, As saídas solitárias, perdidas. Passos noturnos às sextas, Encarando o mundo. Existe mais força, quando não se tem força. Existe o amor, Existe uma flor exalando vida. Foi. Cavalos marinhos. Meninos. Caranguejos em castelos, Pedras gigantes empurrando problemas. Morro abaixo. Lagrimas. Noites proibidas. Dança. Loucura. Gritos de vida. Ideias, conclusões, criações. Planos. Novas casas. União. O bop batendo corações , Convulsões. Orgasmos musicais. Orgasmos carnais. Noites brancas. Lágrimas para uma loucura, De louco para louco. Lembranças. Estrelas simples e indestrutíveis. Me cheira! O terror de uma risada sem fim. Bonecas, Conquistas, Amores traídos, Amigos em perigo. ...

As conclusões de mentes novas

Quando a faísca é pouca para iniciar a chama, Qualquer inflamável é pouca isca. Quando o dia amanhece sem cama, Os olhos veem os sonhos adiados. Constrói-se um ano com tijolos de horas Pilha sobre pilha, O cimento da memória, segura os muros. Estão seguros? Não vai cair. As latas de alumínio ainda não enferrujaram minha carne. Eu bebi, virei cada gota que digeri. Bebi. Minha carne eu feri. Mas não enferrujei. Derreto-me aos poucos, Mas aos poucos não desisto. Insisto em um existir solto, Bicho do mato, Minha coleira a pele que me segura, Muda, Cercada de ordens perdidas. Mudando a todo tempo, Em um turbilhão de caos. Meu Deus é o tigre que ruge rouco, Apenas visto. Apenas sentido. Não emite ruído. Com a noite me engulo e espero o regurgito. Mais uma dose, viro. É preciso esquecer que não se tem o que quer esquecer. O golfo do México, mexe comigo, E o sombreiro me dissipa da luz. Doce inimigo. Estou seguro contigo. Longe ...