A porta do ônibus me encara. Enquanto o ônibus não para. Ainda é lá fora do lado de lá? La fora ainda é, do lado de lá. Ainda existe lá fora do lado de lá? Só saberei quando o ônibus parar.
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Mostrando postagens de 2012
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Piscam cores Solto meus demônios. As ruas coloridas me colorem. Piscam olhos, Saltam minhas entranhas, O escuro absoluto apenas arranha. Arranha, arranha e sangra. Um sangue que não jorra, Chora, gota a gota. Uma dor binária, Que dói e não dói, Dói, não dói. Existe e não existe. Meu Deus, que Medo é esse? Um Medo de não existir, Onde a dor não existe. A única ligação deveras triste, Com uma existência, tão pequena. Pequena, Tu mostraste-me outro lado. Ainda resta um sorriso por trás das lagrimas, Ainda resta um fio que alimenta as ovelhas. Tinha azul, Tinha vermelho, Talvez também, alguns coelhos. Comendo uma cenoura gigante. Mas não havia motivo ali. Era apenas um grito tentando ser livre, Em meio a uma prisão de chumbo a prova de som. Apenas um grito em uma prisão. Não é necessário ser escutado som. Há muitos ouvidos não captando direção. Muitos ouvidos, pouca direção. Como me acharão se eu não me achei? Como me ac...
Bem alto,
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No fim do céu, Onde todo chão abaixo é branco E as montanhas são tempestades. Não se escuta o mar, As ondas são batidas de ar. Gritos, lamentos ou latidos. Qualquer som ou ruído, em terra é retido. Apenas as massas ecoam no céu. Deslizando em toques, por vezes leves, por vezes fortes. Lá em baixo, toda a terra berra seus males. Aqui em cima, no fim do céu só o ar canta Bem alto. Onde todo o chão é branco, E o céu um lago negro, Desses bem rasos Cheio de moedas ao fundo.
A pena do dia
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Uma pena caiu Do lado de fora da janela. Meus olhos foram direto a ela. Dançava sem se importar. Dançava por dançar. Indo para um lado e retornando ao outro. De um lado, para o outro, Em uma valsa, a pena e o ar. De um lado, para o outro, O ar guia, a pena se deixa levar. Em uma valsa, o mundo a soar. O ar e a pena, ponho-me a contemplar. Do lado de fora caiu uma pena. Do lado de dentro uma lagrima. Meus olhos cansados de cinza, Pela janela se aventuraram, Sem planos ou esperança, Guiado pelo sorriso do acaso. Meus olhos cansados sorriram, Diante tamanha grandeza. O acaso com sua pena no mundo, Transforma o banal em lembrança, E encontra no simples, beleza.
Deitado
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Suas mãos corriam pela face, Pingava absurdo de seus olhos. Todas suas unhas arrancavam-lhe, Algo invisível. Marcavam. O coração afundava. O ar parecia pouco. Os sentimentos ardiam fundo. A alma estava em convulsão. Cores trocando direções. O corpo não mexia. A mente tremia. As mãos pararam, Já não tinham o que arrancar. O vácuo do peito Sugava tudo a sua volta, Sem tirar nada do lugar. E tudo entrou em seu peito. E doeu lá, sem lá estar. Doeu o maior dos medos. O medo de viver apenas para amanha... O medo de viver para o amanha Doeu, ardeu, explodiu. Pois o amanha nunca é hoje. E um dia ele deixa de existir. Não há o que fazer. Ou se levanta e vive, Ou só te resta morrer.
ônibus cheio
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o ônibus corre cheio. passageiros e seus sonhos de cidade, unem-se na viagem. olhos distantes. joias, carros , diamantes. já fui criança. já fui bebe. hoje vivo aqui. em meio aos sonhos metálicos, cresci. hoje meu peito é aço, nem percebi. há muito tempo, dor, parei de sentir. ônibus corre cheio. passageiros. todos passageiros. até não sobrar sonho. metal enferrujando. tempo passando. pois, se tudo passa quem é passageiro, já assinou sua sina.
Anotações de cidade II
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no meio da cidade um homem gritou. ninguém se calou. no meio da cidade a fome o levou mais um. ninguém o viu cair. já estava no chão. apenas um bêbado. pagando seu erro. pagando pelo mundo de poucos com muito. no meio da cidade tanta historia sufocada, que se coubesse a um escritor transforma-las em palavras. não haveria papel ou tinta para materializar tal livro. no meio da cidade o único lugar que um mundo pode ser um numero. E uma novela pode ser uma linha, no canto de um jornal amassado, jogado no chão, onde alguém, um dia, morreu. ninguém viu. ninguém vê.
Euforia
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A ira flui Euforia. Movimentos aleatórios Ritmados A 200 BPM. Fúria de palavras. Um dicionário declamado A cada segundo. Futuro virando passado. Mil sonetos borrifados, Informação e sentimento Ao ar. Tudo vira suor. Euforia. Contos modernos. Pessoas serias. Sorrisos falsificados. Todas as palavras, São partes de mim, São parte de um. Um tudo nada, Que grita. E declama. E gera lagrimas. Todos tentamos ir um pouco mais. Uma braçada à frente. Um passo. Uma queda Para lugar nenhum. E assim, Nossa eterna briga de chegar No mesmo lugar. Acaba virando uma espiral belíssima, Que oscila sua ira. Sua existência. Em euforia.
Momentos
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Aguardando o movimento, No instante exato de sua iminência. Rodados em câmera super-lenta. Preenchendo cada pixel de sua pintura, Pendurada no meio de minha cabeça Com enormes pregos neurais. É preciso guardar tudo. O sorriso. O olho. O cabelo. O jeito. A voz. Os gestos. As caras. As bocas. Os pensares. Os dizeres. Torrões de açúcar, Em café amargo, No calor, misturados. Fumaça doce, Espalhando-nos, Ao vento, lento. Amargo tornando-se passado As cores, agora, exalam seus significados. Guardando tudo a cada segundo. Detalhes fractais. O infinito no finito. Aguardando. Em cada grão que cai em sua presença, Nasce um novo mundo para morar. Grama no asfalto a brotar. Nasce uma nova musica para tocar, No silencio, quando a solidão domina. Um novo sol, Para iluminar e aquecer os dias frios, Cobertos de muros. Um novo horizonte, Depois daquela montanha, lá longe. Sigo aguardando, De segundo em segundo, Juntando...
tudo ou nada
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Aos meus pés, toda a terra. Trocando passos como quem cria rotação. O mundo precisa rodar. O tempo não pode parar. Aos meus pés, os receios. Os pesares, As soluções falsas. Aos meus pés, países. E todas suas felicidades guardadas, Em quartos fechados com trancas enormes. Aos meus pés, o próximo passo. O próximo pedaço de chão, que me dará sustentação. De próximo em próximo, de pedaço em pedaço. Passos. Até o vazio que me conduzirá ao abismo. Infinito. Aos meus pés, linhas. Apontando, Ligando, grifando Promessas ignoradas. Lágrimas filhas da incompreensão, Derrubadas no fim de batalhas. Por quê? Aos meus pés, sonhos. Confundindo-se com pesadelos. Reflexos turvos em espelhos, Refletidos descontinuamente pela atmosfera. Sempre ao contrário. Na porta meio aberta do armário. Não pode ser lido. Não se traduz. É apenas luz, No fundo do peito. Aos meus pés, o mundo. E tudo que um sonhador pode tirar disso. Ou nada.
Onde está (no fim)?
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está em todo lugar. no bla bla bla que ouço nos rádios. no cantar desesperado que soa da alma. no grito dos números nos jornais. no jeito calmo e torto de andar, sem ter onde ir. na certeza de não ter certeza. na conquista que falta e teima. nos paradoxos que jorram pelas ruas, como ondas, onde se mergulha, onde se afoga cercado de ar. no sonho inconstante e eterno, que morre, enorme. no peito de defeitos. no fio de ideia tão capilar que nem sei se passa sangue, mas que laça horas, em pensamentos no escuro. no tudo que petrifica o tédio. no nada que engrandece o vazio. no mundo de rimas sem solução. na vida de esquinas redondas, imperceptíveis, conduzidas pelo acaso como um labirinto mutável. tudo sempre da certo no final. ouço musica apenas por ouvir, mas no fundo, as vezes, me vem um sussurro... de quem? procuro. encontro. uma conhecida. sorrisos. Poesia.
? !
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_ Quando as duvidas e os sentimentos do ser, Formam um labirinto ao seu redor. Uma fusão de tudo. Uma confusão por nada. O que é o ser? O que é o ambiente? Uma coisa só diferente. Soluções coexistentes. Agora, o ser ambiente, a náusea. Algo visto no fundo dos olhos. Aquele lugar onde a carne se mistura com a alma, E todo contato é sensação, Não exige tradução. Um aperto no peito, Um frio no coração. Apenas entende-se. Sem palavras ou gestos, Entende-se cego. Entende-se surdo. Entende-se mudo. Não cabe explicar, O que não é necessário falar em voz alta.
O procurador
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Dono de uma inquietude quieta, Corrosiva. Aquela inquietude de olhar, Eternizada em estatuas, Fincadas no coração de praças. Seu corpo estático, Destoa da alma flutuante. Atenção em todo lugar. Traçando teias pelo ambiente. Tragando detalhes. Soprando deduções. Formando figuras com fumaça. Um absurdo em um ponto. Um romance de uma linha. Uma tragédia neblina. Tudo se desmancha no ar. Cada vez mais cheio. Cada vez mais teia. Um destruidor de bússolas, Colocando escadas em tudo o que é plano. Compartilhando a procura, Distribuindo acaso pelas ruas. Procurar é sua sina. Não achar, sua obra prima. P...
Mente deserto
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Não faz sentido ter tantas jazidas de garimpo, No meio da mente deserta, do meu eu poeta. Onde nenhum faraó governou. Onde nenhum oasis triunfou. Não faz sentido. Mas mesmo assim, continua o garimpo. Tudo o que se cava o vento acaba cobrindo. Continua o garimpo. O tempo é quente ao dia, a noite é frio, Sempre sentindo ou achando sentido. Tentando descrever o horizonte infinito de dunas, Moldadas pelos sentimentos de um solitário perdido. De fala pouca e olhar pesado. De sonhos muitos e amores passados. Tento cavar, onde há pouco, quase nada. Tento cavar, minha pele, minha alma. Até minhas mãos caírem e não restar vida. Até não haver mais horizonte ou duna erguida. Mesmo que ao relento e para o vento. Vou gritar, cavar e garimpar. Até encontrar algo, ou morre sem encontrar. Esperança é fechar os olhos e acordar no mar. Quem disse que o impossível não pode formar caminhos? Quem sabe, um dia, algo brote do meu de...
Mais um ano
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Mais um ano de tijolos empilhados, Construindo meus pedaços. Mais um ano fundindo memorias, Guardadas em livros de imagens solidas. Mais um ano, um novo humano. Sempre esse gosto de usado, trocado e lavado. Mais um ano, todo novo e todo velho. Todo eu, tão eu que nem me vejo não o sendo. Mais um ano na vida. Essa obra-prima brilhante, Nascida do pó das estrelas Da fagulha de uma duvida acesa E do amor pelo nada E pelo tudo. Mais um ano, Mais uma curva chegando. Mais passado fabricado, Mais presente entornando. Mais um ano. Mais uma vida. Mais construção. Mais acaso. ...
Dos passos a razão
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Meus passos secos rimando desencantos. Sempre tortos, sempre pelos cantos. Os mesmos passos pelo chão molhado, Apenas olhares casualmente trocados. Palavras sussurradas ao ouvido de almas, Admiráveis historias nunca pronunciadas. Não posso defender um coração calado, Não aguento o peso do silencio amarrado. Não posso, simplesmente, aceitar não poder, Cada esquina que cruzo me custa um viver. Não posso me ferir insistindo em não mostrar, O que nasce espontâneo no fundo do olhar. Não posso, de forma alguma, deixar de lutar. Por todo e qualquer sonho, que pesco no ar. Dessas palavras nasce a lagrima, no peito, dissolvida, Formando bolhas belíssimas, dessa sangrenta tinta. Uma tinta vermelha que pulsa pelo papel, Com toda a força de meu coração de pincel. Sedento por vida, em um deserto de ilusão, Pulsando com a força do mais poderoso trovão. Quem sabe assim, um dia. Meus sentimentos abracem a razão.
Lembranças do Mar I
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Som indo, Som vindo, Areia chegando e partindo. Construindo o que já foi. O vento levará, O mar invadirá, O tempo apagará, O que a memoria eternizará. Rumo ao horizonte sem fim, Aonde o mar chega e se afasta, Até terra nova. Até novo mar. Até o velho virar novo, E o futuro, o passado, reencontrar . Há muita terra até o fim da terra. Há muito mar até o fim do mar. Há muito tempo até o fim da areia. Haverá muita vida até isso tudo acabar.
Muro do luxo
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De passos largos no meio do luxo Seguia tímido sentindo-me sujo. De passos largos um tropeço, A cara eu viro e de repente vejo. Havia uma piroca no meio do muro, No meio do muro havia uma piroca. Havia um muro no meio do luxo, No meio do muro havia uma piroca. Havia uma piroca no meio do muro, No meio do luxo havia uma piroca. Quem diria no luxo, Havia uma piroca. E eu o sujo sem roupa bacana, Quem diria sujo, olhando a piroca, Dura, escrota e torta. No meio do muro, no meio do luxo. É isso mesmo cidadão, No meio do luxo havia uma piroca, dando oi para quem passava. Parece absurdo mais veja só, No meio do muro havia uma piroca, penetrando olhos Para fecundando óvulos no cérebro. Parece mentira, mas eu juro No meio do luxo havia uma piroca, gozando nas mentes transeuntes. E cada um que gere sua cria, Mas não venham cagando maldizeres Sem fecundar porra nenhuma. A intenção é ter filhos, esforce-se um pouquinho. E caso esteja com pr...
Teia
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Os versos cruzaram o ar, Bordando uma teia de veias. Armadilhas para sonhos, Colocados no céu por engano. Pulsando meu sangue, Ano após ano. Nenhum pássaro no ar, Nenhum peixe no oceano. Eu perdi meus versos Em um dia de sol. Evaporaram, Voltaram com a chuva. Chuva que rompeu a teia, Jogando ao chão o que guardei. Nenhum sonho restou Tudo que caiu se despedaçou. Os versos guardados, Juntaram-se a enxurrada. Desceram o rio, Rumo ao mar, Rumo a nada. E da falta da teia, O desejo de vê-la pulsar. Mais um ano passando, Uma nova teia bordada no ar. Da silhueta ao fundo da sombra, Emerge um cântico de esperança. Quem sabe dessa vez, Algum sonho fique na teia, Antes de o chão encher-se de veias. Quem sabe dessa vez, Algum sonho. Antes que a chuva venha com seus desenganos.
Entendimentos de uma mente em crescimento
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Passos colhendo, E brotando. Chão pelo ar Nuvens de vida, pelo céu, a passear, Se divertindo com os dramas refletidos no mar. Sopros agudos sussurrados ao espaço, Tocando leve, meus tímpanos de aço. Gemidos rindo seus prazeres na chuva, Molhado as superfícies, na cama, nuas. Juntos, unidos, Pele no som, alma nas ondas. Instrumentos gritando dores Acorrentadas na alma, Mas que palavras não conseguem exprimir. Nem sempre para entender é preciso saber explicar. Às vezes apenas entende-se, a energia contida no ar.
Uma explicação inútil. Para ninguém
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Meus versos estão chorando, As gotas que não caem de meus olhos. Estão sofrendo, Tudo que engoli na vida. Estão gritando, Toda a minha mudez. Estão lutando, Todas as batalhas que me retirei. Estão amando, Todos os amores que não senti. Estão vivendo, Mas não pense que não vivo. Meus versos estão vivendo, Mas através de mim. Não por mim. Através.
sem sentido
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O papel range As pessoas choram A caneta bate O juiz condena Martelos perdidos Mentes confusas Sons agudos Não posso ouvir Esperança no frio Nem musica no vácuo Aqui fede um cheiro meu O cheiro do mundo Imundo Que inunda o ar Não vai passar Não importa gritar Recolha suas tralhas Não importa mais Digam que sai Fui procurar uma porta Dessas que abrem para bem longe daqui.
Para alguém perdido
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Olhe no fundo de meus olhos mulher! Eu não tenho nome! Tudo que tenho é uma alma Acorrentada nestes olhos que te veem, E por trás deles te julgo. Sabendo que por trás dos seus Sou também julgado. E nesse tribunal dançamos, Com gestos e bocas. Um tentando se defender do outro. Dançando como gatos na chuva. Lutando para sair, Amando cada gota, Deixando-se levar pela inercia dos corpos encharcados, Que temem adoecer. Mas amam o frescor e a leve ardência das gotas Ao tocarem a pele leve, pesado, presente. É inútil lutar! Não temos para onde ir! Não temos para onde fugir! Somos só nos dois. A nos molhar ao som das trombetas. Misturando suor, lagrimas e água gelada. Molhando e nos conhecendo. Para tentarmos esquecer, Que nunca você esteve por trás de meus olhos E nem eu dos seus. Mas mesmo assim, Sou seu e sinto que és minha.
Abstrato
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Vês, minhas vísceras ao chão? Eu derreti, assim que sua existência caiu sobre mim, Cortando como uma lamina bem fina. Que passou, dividiu-me e se foi. Para onde? A bainha de alguém, talvez... O chão ficou sangue, Meus pulsos viraram pinceis. Espirra vermelho. Fusão, junção. Dividindo o que ficou Ao chão, no chão, Meu sangue Meu desespero. Tudo cru, no mesmo lugar. Espalhados pelo ar, Cheira a existência. O acaso goteja, Pingando No quadro abstrato. Absurdo. Tentando abrir janelas da alma, Vermelho no branco. Chão de banheiro, traços vermelhos. Lutando por sobrevivência, Sobrevivência na ausência, No fim, todos dizem que passa, Mas o quadro alguém vendeu. O corpo alguém enterrou. A lamina realmente passou, Nunca retornou Todos dizem que passa, E esse é o problema. Passou. Por isso não passa. Passou. E não passa.
O buraco
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Quanto mais eu me sou Mais cavo o buraco de mim mesmo..... Mais terra sai. Mais longe a superfície de mim. Sinto-me em queda livre. Caindo em um absurdo Cavado pelo exercito interminável de ou’s e reticências. Onde estão os pontos finais? De certo o tempo os engoliu. Agora todo grito não tem exclamação Só interrogam. Só se vão... Afundo-me em mim E o que ecoa agora, Só soa o que sou. Dúvidas sem resposta. E se não quiser ser mais a mim? Alguém, por acaso, já descobriu o que não sou eu? Alguém sabe o que é o eu? Alguém sabe? Grite! Aqui é fundo, O som se perde no caminho. Deve ser isso Que mantem o silêncio tão fiel. Não dá mais! Não dá mais, para ser o que não fui. Tentei sair de mim, Mas só soa Só soa Escorrega Só soa Soa eu e nada mais... No fundo. Um sorriso conformado. Um abraço inevitável. Um fio de luz ao meio dia. Tarde de mais é muito cedo para mim. Já anoiteceu. Deixa pro outro dia, ...
Notas/Nadas da madrugada
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não podemos salvar o mundo perdidos dentro dele. por isso, todos os salvadores estão mortos e nós condenados ao mundo. Mas não importa, o que de belo tirarmos daqui é nosa salvação. É nosso grito de resposta ao nada, que sumiu com nossa existência. ao nada, que sumiu com nossa existência boba... Mas... Existência, Longe de ser nada. A piada é que não há piada Ri o tudo com o nada não podemos salvar-lo pois nossa vida já é mais que isso o nada se foi quando você nasceu abriu, existiu, riu riu... antes da hora e agora? alguém só queria se conhecer! o universo todo um conflito. Reflito não há de ser nada. Pois bem é madrugada.... Basta! vou dormir
A nuvem e o quadro surrealista
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No céu de frases infinitas, Sobram as nuvens do sonho. Um redemoinho de letas e sons, Dançando sobre as lagrimas Que devemos à existência. Trocamos a nos mesmos, E o sol ilumina diferente, Criando do reflexo da nuvem. As mais variadas cores sobre a terra seca. A terra seca que agora admira. A nuvem leve, Que deseja todo o peso de uma tempestade E toda mobilidade de um furação tropical. A nuvem desconhecida, Que surgiu em meio a outras nuvens E se fez senário desse quadro surrealista. A nuvem avessa, Que vive sem óculos no mundo míope, Buscando suas saídas longe do comum. A nuvem, Que agora a terra seca observa. Trocamos a nos mesmos, E nunca mais o céu foi o mesmo. O quadro mudou. O surrealismo ficou.
Ecos de uma madrugada vazia
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silêncio pela madrugada! cada palavra é uma enxada cravada em meu peito. silêncio na madrugada! um martelo bate, crânios esmagados. sozinho dentro do sozinho escuro, sem vizinhos. silêncio na madrugada! fios cortantes pelo caminho, andar dói, é preciso. silêncio na madrugada! quero explodir de tanto vazio. silêncio na madrugada! quero explodir, sozinho.